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Suco de laranja multiplica lucro em copo

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Prova da relação entre tolerância do consumidor e o valor final do que se consome é o que ocorre, por exemplo, com a comercialização de suco de laranja em copos individuais. Embora haja o trabalho de espremer a fruta e a necessidade de repassar um percentual dos custos com pagamento de salário dos funcionários e manutenção do estabelecimento, nada justifica o preço que muitos estabelecimentos cobram dos clientes.

Em um ponto da zona Sul da cidade, um copo com 500 mililitros do suco, feito com seis laranjas pequenas, é vendido a R$ 3,90. A menos de 50 metros dali, na seção de hortifruti de um supermercado, as mesmas laranjas, embora não espremidas em um copo, podiam ser compradas por R$ 0,83, preço mais de quatro vezes e meia mais barato.

Outro artigo vendido a preço de ouro é a tinta colorida para impressora. Assim como o orégano, se elas fossem vendidas em grande quantidade, certamente não alcançariam valores tão elevados.

Em um site de venda de artigos para informática, um cartucho com 3 mililitros de tinta é oferecido por R$ 51,90. Se fosse comprar o produto por litro, o consumidor teria de desembolsar a surpreendente cifra de R$ 17.300,00. Só para efeito de comparação, a renomada Champagne Veuve Clicquot City Travelle custa, por mililitro, R$ 1,29. Já a tinta, R$ 17,30.

Também chama atenção o fato de um dos modelos de impressora da mesma marca ser vendida por aproximadamente R$ 170,00. A reposição de dois cartuchos (10 mililitros o preto e 8 mililitros o colorido), fica em torno de R$ 130,00. De tão polêmico, o preço de tintas de impressoras é tema de discussões em e-mails que circulam pela Internet.

O economista Gallo lembra que, neste caso, o cartucho de impressora não envolve somente a tinta, mas também uma série de técnicas que custaram caro para serem desenvolvidas. “E o próprio cartucho onde a tinta está acondicionada também tem um desenho e toda uma tecnologia para funcionar adequadamente”, frisa.

Ainda que as empresas não estejam deliberadamente enganando o consumidor, já que explicitam o preço e volume ou peso do produto comercializado, Gallo acredita que este tipo de distorção induz os consumidores ao erro.

“Se as empresas fossem obrigadas a estampar o valor em quilo ou litro de todas as mercadorias vendidas em porções inferiores aos seus padrões de referência, certamente o hábito do consumidor, de alguma forma, iria mudar”, ressalta o economista.

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