Economia & Negócios

Preço de remédio pode variar 1.400%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Pesquisa inédita realizada pela Fundação Procon-SP em parceira com a Secretaria da Saúde constatou que a diferença de preços entre medicamentos – seja de uma loja a outra ou na comparação entre o remédio de referência e o genérico equivalente – pode chegar a 1.415%. O levantamento, referente ao primeiro bimestre de 2010, envolveu 103 itens em 15 estabelecimentos farmacêuticos distribuídos nas cinco regiões da Capital.

Os resultados do levantamento mostram que o consumidor, independentemente de onde ele esteja, precisa pesquisar preço antes da compra de medicamentos, já que os valores dos produtos podem ter variações consideráveis de um estabelecimento para outro, inclusive por ocasião de descontos especiais e promoções. Na comparação entre preços de medicamentos de referência e genéricos, observa-se que a diferença pode ser exorbitante.

Em Bauru, onde também é possível encontrar preços muito diferentes para produtos iguais, o consumidor já aprendeu a utilizar estratégias para pagar mais barato. “Primeiro eu pesquiso na Internet, onde geralmente os remédios são mais em conta, para ter uma idéia de preço. Depois vou a algumas lojas, comparo e compro na que tiver preço mais próximo do que eu tinha visto”, ensina o engenheiro Uassi Magone Junior, 56 anos, que gasta cerca de R$ 120,00 por mês com medicamentos de uso contínuo para tratar de hipertensão e problemas de tireóide.

Segundo o supervisor de rede de farmácias Anuar Thomé, cerca de 50% dos clientes costumam obter descontos de até 20% ao utilizarem as facilidades oferecidas pelo estabelecimento, como o cartão fidelidade (emitido pelo próprio estabelecimento) e convênios corporativos. “São mais de 300 empresas em Bauru e cada uma opta por um tipo de convênio. Há também o cartão de crédito, que dá 8% de desconto e um prazo estendido para pagamento”, destaca.

Em outra rede farmacêutica, o abatimento de preço chega 22,5% para aposentados e, em períodos promocionais, os medicamentos podem ser encontrados por preços até 55% menores. “Como negociamos grandes volumes com o laboratório, conseguimos comprar mais barato e, consequentemente, repassar essa redução para o consumidor”, revela a gerente, que preferiu não se identificar.

Outra prática comum que beneficiava os pacientes, mas que foi proibida ontem pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), é a utilização de cartões emitidos por laboratórios e distribuídos pelos médicos para a aquisição, com até 80% de desconto, de remédios de uso contínuo para o tratamento de doenças crônicas como asma, diabetes e hipertensão. Os pacientes que possuem esse tipo de abatimento poderão usufruir do benefício até o prazo de validade do cartão expirar.

Cliente do estabelecimento, a manicure Zenaide de Moraes Quinalia, 45 anos, diz conhecer as farmácias da cidade onde os remédios estão mais em conta. “Nas que eu já sei que são caras, nem entro”, sentencia. Zenaide desembolsa aproximadamente R$ 155,00 com os medicamentos dela e do marido e acredita fazer uma economia mensal de, pelo menos, R$ 40,00.

“Passo na farmácia em que tenho convênio, em uma que fica perto de casa e outra próxima ao meu trabalho. Algumas dão bons descontos à vista, mesmo se eu não tiver o cartão fidelidade. Mas é preciso pesquisar porque os preços variam e, dependendo do dia, uma está mais barata que a outra”, orienta.

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