Se alguém disser que a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sofre com o machismo alheio, concordarei em número, gênero e grau. Não tenho dúvidas de que se um homem desempenhasse sua função e portasse uma biografia e postura semelhante, ele seria louvavelmente rotulado como competente. Mesmo sendo defensora da senhora Dilma enquanto mulher bem sucedida, não tenho como ignorar a constrangimento que foi vê-la no programa SuperPop na última semana. Soube que o mesmo programa de televisão também teve em seu palco o governador José Serra. O que nos leva a constatar oficialmente que é ano eleitoral. Mas não quero me ater à rivalidade política dos futuros candidatos à Presidência da República.
A primeira surpresa me ocorreu quando há alguns meses uma revista de celebridades, não me recordo qual e quando exatamente, divulgou fotos de uma reunião feminina de socialites e mulheres prestigiosas, em sua maioria artistas. Lembro-me bem ter visto Ana Maria e Luciana Gimenez. E a convidada de honra era nada mais nada menos do que a preferida do sr. Luiz Inácio. Achei diferente pois Dilma simplesmente não combina com ambiente de “chá da tarde entre amigas”. Ela é linha dura, pulso firme, braço forte do governo, dizem, intransigente e até bandida (por conta das atividades não lícitas realizadas durante o período da ditadura). Minha leitura sobre a imagem foi imediata: estão maquiando a futura candidata, pois ela precisa, mesmo que não seja, afável e carismática.
Então, agora me deparei com a apresentadora da Rede TV, Luciana Gimenez, entrevistando a ministra. Acho que o “Chá” alcançou seus objetivos. Soube que o programa amargou dos piores ibopes quando exibiu a entrevista. E não era para menos. A “tosca” Luciana fazendo perguntas retóricas que enchiam de eufemismo a figura de Dilma. Essa, por sua vez, esforçava-se dolorosamente para transparecer seu lado “mulherzinha” - sem qualquer detrimento ao termo. E assim foi... muitos minutos e público – certamente induzido por um animador de plateia – soltava palmas que pareciam cortar aquele bate-papo seco e pouco instigante para quem o assistia. Além de Luciana já ter demonstrado sua fragilidade intelectual, seu público está acostumado a ver desfiles de lingerie, debates sobre prostitutas e pole dance, além de contar com ilustres participantes como ex-bbbs e Geise Arruda. Sendo assim, como pode o programa incluir em sua pauta alguém de tão densa biografia? E como pode essa aceitar tal convite? Simples, necessidade de votos. Talvez seja por isto que tanto se falou em culinária, vida familiar, Minas Gerais, entre outros. O momento mais trágico foi quando as duas “amigas” foram preparar um omelete que simplesmente não saiu.
Costumo dizer que mais glorioso do que a eleição de Lula e seu governo, será a eleição de Dilma. Se isto vier a acontecer, será por transferência de votos do primeiro para a segunda. Todos concordam que, independentemente das competências ou deficiências do atual presidente, ele é uma figura poderosa. Seu ar paternal me levou às lágrimas quando assistindo a entrevista concedida ao repórter Kennedy Alencar no programa “É Notícia”. E é este “Sex Appeal” que permite que o homem considerado o mais poderoso do mundo chame o governante brasileiro de “o cara”. Apesar “desse Lula” ter sido publicitariamente construído, tenho fortes dúvidas de que Dilma possa passar pela mesma transformação. Voltando ao Serra – que também teve a honra de ser entrevistado no SuperPop –, à Dilma e não esquecendo de Marina Silva, o que podemos garantir é que carisma e estética não serão o forte do pleito eleitoral. Talvez em 2014, com Aécio.
A autora, Marcella Pacheli, é estudante de jornalismo e colaboradora de Opinião