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Dr. Automóvel: Dúvidas e teorias

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Recebo toda semana perguntas de leitores que vou respondendo na medida do possível. Quando as perguntas podem interessar a mais pessoas, publico a resposta diretamente aqui na coluna. É o caso das questões pelo nosso amigo jornalista Nelson Rodrigues. Vamos a elas:

“-Procede que não adianta soltar na “banguela” carro com injeção, porque não economiza em nada combustível? (não estou nem discutindo o problema de segurança).” Procede sim. Banguela nunca é recomendado por segurança, como você mesmo reconhece. Para motor injetado então, nem mesmo por economia. Isto porque o corpo de borboleta tem sempre que ficar um pouco aberto para garantir a marcha lenta funcionando e se ficar na banguela, é ela que manterá o motor rodando. O correto é descer engrenado, usando o freio motor ou não (dependendo da marcha escolhida), mas se o motor sentir que não está sendo solicitado para carga, ele mesmo fecha completamente a borboleta e corta o combustível, o que ajuda na economia e na segurança;

“-O concessionário falou pra minha sogra (que adquiriu um Space Fox novo) que ela tem de colocar óleo sintético no motor, mas o manual descreve outra especificação. E aí?” Sempre siga o manual da fábrica! A não ser que exista uma carta da própria fábrica alterando a especificação por algum motivo. Se o concessionário não comprovar por escrito, siga o manual.

  “-Esse é um material que está se espalhando pela internet. Portanto, pode, como muitos, não ter nada de sério ou real. Veja se tem sentido!” O assunto em questão é sobre ar condicionado e vem em tom bombástico: “Alerta! Atenção para quem tem carro com ar-condicionado! Não ligue o ar condicionado logo que entrar no carro. Por favor, abra as janelas assim que  entrar no carro, e não ligue logo o ar condicionado. De acordo com pesquisas, o painel de instrumentos, assentos e tubagens de refrigeração emitem ‘benzeno’, uma toxina causadora de câncer. (Note o cheiro de plástico quente dentro do carro). Além disso, envenena os ossos, causa anemia e reduz os glóbulos brancos. O nível interior aceitável de  benzeno é de 0,05gr/cm². No interior de um carro estacionado com as janelas fechadas contém de 0,37 a 0,74mg de benzeno. Se estiver estacionado sob o sol, a uma temperatura superior a 16ºC, o nível de benzeno sobe para  1,84-3,68mg (40 vezes superior ao nível aceitável) e as pessoas aspiram uma quantidade enorme de toxinas. Recomenda-se abrir as janelas e portas para que o ar quente possa sair, antes de ligar o ar condicionado. O benzeno é uma toxina que também afeta os rins e fígado. É uma substância tóxica muito difícil de ser expelida pelo organismo.” 

Este material abaixo já havia visto e realmente é bobagem. Fizeram uma mistura de assunto sério com sensacionalismo, usando dados reais de toxidade com fictícios de contaminação. Pesquisas de quem? Um dos estudos mais sérios que as montadoras realizam é justamente este, o de contaminação por odores. O famoso “cheirinho de carro novo” demanda muita tecnologia pois ajuda nas vendas, é agradável para o público e não pode fazer mal. Todo plástico novo tem cheiro mas não expele gases tóxicos a ponto de fazer mal a alguém. Tem muita teoria da conspiração rodando por aí... Não acredite em tudo que circula pela internet.

Nosso amigo leitor Aníbal Oliveira, de Bauru, tem outra pergunta: “-Tendo em vista que nos últimos meses abastecer o carro com álcool deixou de ser vantajoso e a gasolina também está cara, gostaria de uma informação se possível: Fiquei sabendo que algumas pessoas abastecem um tanque de combustível de 40 litros (motor flex) na seguinte proporção: 25 l de álcool  e 15 l de gasolina. Meu carro faz 7,5 em média para álcool e 10,5 para gasolina. A informação que recebi é que com a mistura dos 25+15 a média passa para 9 km e barateia o abastecimento em relação à gasolina e o desempenho do carro fica bom. A média/km realmente melhora em relação ao abastecimento com álcool? Quais os prejuízos a médio/longo prazo com este tipo de abastecimento (desgastes do veículo)?” A resposta é simples: o álcool sempre consome mais que a gasolina, pois tem menor poder calorífico e precisa de mais combustível para gerar a mesma energia. Portanto, quanto maior a proporção de álcool na mistura, menor a média geral, mas não existem números mágicos. Um motor flex trabalha com qualquer proporção de combustíveis e está apto a funcionar bem sem danos ou desgastes ao motor.

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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