Em apenas um ano, mais de duas toneladas de carne foram retiradas das prateleiras de supermercados, mercearias e açougues de Bauru por terem sido consideradas impróprias para o consumo. O trabalho, realizado pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) no ano de 2009, inutilizou 2.200 quilos de carnes bovinas, suínas e embutidos, aves e peixes e outras carnes, além de 240 litros de leite.
Do total de 24 ocorrências, 19 foram registradas em pequenas mercearias e açougues e cinco em grandes supermercados. Os motivos das inutilizações são referentes à alteração de cor do produto, refrigeração inadequada e procedência desconhecida.
“Neste último ano tivemos um grande aumento do volume de inutilizações porque, em apenas um minimercado, foram recolhidos 700 quilos de carne bovina clandestina e mal armazenada”, comenta Flávio Tadeu Salvador, diretor da Divisão de Vigilância Sanitária. O estabelecimento foi autuado e a mercadoria, apreendida.
Segundo Salvador, não houve ocorrências em feiras livres, mas a recomendação é não consumir produtos comercializados nesses locais que não tragam na embalagem o registro de algum órgão de inspeção federal (SIF), estadual (Sisp) ou municipal (Simb). “Para todos os produtos de origem animal, este selo é obrigatório. Se o produto não tiver identificação, o consumidor deve exigir esta informação do vendedor. Ela é a garantia de que o frigorífico ou abatedouro que forneceu a carne passam por acompanhamento sistemático dos órgãos de inspeção”, detalha.
Uma dica para não cair na armadilha dos estabelecimentos que vendem alimentos de frigoríficos clandestinos, segundo ele, é desconfiar de preços muito baratos, principalmente nos pequenos açougues, mercados e mercearias. Outro alerta está relacionado à aparência da carne, conforme ensina João Campoi, proprietário de uma churrascaria de Bauru.
“A cor precisa ser um vermelho vivo. Se for carne de um macho, que é mais macia, a gordura precisa ser num tom amarelo claro. Já a carne da fêmea costuma ser um pouco mais esbranquiçada”, revela. Caso o corte esteja com aparência amarelada, esverdeada ou ressecada, é melhor não levar o produto para casa.
De acordo com Salvador, as gôndolas onde estão acondicionadas as carnes não podem ser iluminadas com lâmpadas vermelhas, artifício utilizado para confundir o consumidor no momento de avaliar o aspecto do produto. “Também não pode haver carnes de tipos diferentes misturadas umas com as outras”, completa.
Outro ponto que também precisa ser considerado são as condições de higiene do estabelecimento e dos funcionários que manipulam o alimento. “Também é recomendado evitar carne pré-moída e carnes em bandejinhas. Já tivemos reclamação de consumidores que compraram a bandeja com os bifes sobrepostos e, ao abrir, encontrou fatias esverdeadas que estavam embaixo”, conta o diretor.