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Unesp coordena a força-tarefa para ajudar São Luiz do Paraitinga

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Conhecida por seu Carnaval de rua com tradicionais marchinhas, a cidade de São Luiz do Paraitinga (a 505 quilômetros de Bauru) ficará sem festa neste ano. Mas, após ser devastada pela maior enchente de sua história, no início de janeiro, a cidade receberá a ajuda da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru para se reerguer.

Por meio de um projeto de extensão iniciado em 2005, que está sendo redimensionado em razão da tragédia, a instituição irá definir diretrizes para a reconstrução da ciadade. De acordo com o coordenador da iniciativa, o professor e arquiteto José Xaides de Sampaio Alves, serão determinadas ações de curto, médio e longo prazos. O planejamento vai desde o preparo logístico para a distribuição de alimentos e roupas, passa pela reforma do patrimônio histórico da cidade e se estende até a atenção psicológica às famílias que foram atingidas pelas fortes chuvas.

Como plano emergencial, duas frentes de trabalho que já estão sendo postas em prática são a construção de 200 moradias populares para acolher os desabrigados e a realização de obras de contenção de encostas em áreas de risco da cidade. Com recursos oriundos do Governo do Estado, ambas as ações devem ser concluídas dentro de dois meses.

“Posteriormente, a idéia é construir uma proteção mais eficiente contra a invasão de enchentes nas áreas onde se concentram os patrimônios históricos. Mas, por enquanto, os institutos ainda estão em fase de estudos de hidrologia”, cita, referindo-se à Universidade de São Paulo (USP), ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e ao Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), vinculado à Secretaria de Saneamento e Energia.

Já que as demandas de São Luiz do Paraitinga são muitas, o projeto elaborado por Xaides teve de contemplar a atuação articulada de diversas entidades e órgãos técnicos, além de uma extensa cadeia de voluntários que será mão-de-obra importante para recuperar e devolver cada peça ou documento históricos ao seu devido lugar.

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Acervo

Como São Luiz do Paraitinga possui o maior acervo arquitetônico tombado do Estado de São Paulo, uma das grandes ações será realizar um trabalho minucioso para restaurar os antigos casarões e igrejas centenárias que, depois da enchente, se resumem a um amontoado de escombros. Nesta ação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural (Condepac) do município ficaram responsáveis por buscar soluções financeiras para salvar os edifícios que ruíram e o Centro de Documentação e Memória (Cedem) da Unesp por resgatar os documentos perdidos.

“A água invadiu a prefeitura, o cartório, o fórum. Será um trabalho quase arqueológico, inclusive para a recuperação de objetos de valor histórico. Também terão de ser registradas as histórias que estão ocorrendo, já que se trata de uma memória social muito importante”, frisa o arquiteto José Xaides de Sampaio Alves.

Outra preocupação refere-se ao empenho necessário para reaquecer o turismo na cidade, cuja economia ficou paralisada desde a destruição provocada pelas chuvas. Para se ter uma ideia, somente com o cancelamento do Carnaval, calcula-se que a cidade irá acumular um prejuízo de R$ 20 milhões. “Não queremos que São Luiz do Paraitinga se torne uma cidade fantasma. Então haverá um trabalho de comunicação para convocar entidades técnicas e universidades nas áreas de engenharia, arquitetura, urbanismo, planejamento, geografia, museologia, arqueologia e história para que venham até a cidade para acompanhar de perto e aprender com essa atuação multidisciplinar”, detalha.

Além de todo o esforço para a reformulação física de São Luiz do Paraitinga, Xaides explica que um grupo de profissionais de psicologia, psiquiatria e direito deverão ser encaminhados para o local, para dar suporte às famílias que ainda sofrem com a catástrofe. “Há um trauma visível na cidade por causa deste acidente. O apoio precisa ser extenso, inclusive para orientar as pessoas sobre os direitos que elas têm de reaver aquilo que perderam”, frisa.

Mas, mais do que socorrer o município, Xaides explica que o trabalho em Paraitinga pretende ser o embrião para a formação de um grupo de profissionais da Unesp que seja habilitado para atuar em situações de catástrofe que eventualmente ocorram no Estado ou em outras regiões do Brasil.

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Projeto de extensão

A ligação entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru e São Luiz do Paraitinga teve início no ano de 2005 quando, por meio de um projeto de extensão do Departamento de Arquitetura, o professor José Xaides de Sampaio Alves passou a coordenar a elaboração do Plano Diretor Participativo e do Plano Estratégico de Desenvolvimento da cidade. Ambos foram aprovados em dezembro de 2009, mas não houve tempo hábil para implementá-los.

“Depois da enchente, como eu já estava envolvido, a prefeita (Ana Lúcia Bilard) solicitou que a Unesp colaborasse com a recuperação da cidade. Agora, nós vamos ficar por lá até esse trabalho de recuperação se encerrar”, comenta o professor, salientando que a recuperação total da cidade deverá demandar pelo menos mais três anos.

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