Cada vez que a temperatura sobe um grau Celsius é motivo de comemoração para a indústria da cerveja e para os donos de botecos. Conforme aumentam as gotas de suor no rosto do brasileiro, cresce o consumo de uma das bebidas mais apreciadas no mundo. Estimativa do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) dão conta de que a cada grau a mais de calor o consumo de cerveja aumenta 0,28% no País.
A exemplo de Bauru, que teve o janeiro mais quente dos últimos nove anos, este começo de ano tem feito moradores de outras cidades suarem mais do que a média dos anos anteriores. No Rio de Janeiro, por exemplo, o mês passado esteve, em média, quatro graus mais quente do que o previsto para o período.
Com o calor natural do verão, somado a euforia que o Carnaval e uma Copa do Mundo sempre provocam no brasileiro, 2010 deverá impulsionar ainda mais a venda de cerveja. O setor projeta crescimento de até 12 % neste ano. Em 2009, a expansão foi de 5%.
Para o superintendente executivo do Sindicerv, Enio Rodrigues, o aumento da renda e a estabilidade da economia também contribuem para o aumento do consumo.
A cerveja para o brasileiro é a bebida do ano inteiro, mas 60% das vendas anuais estão concentradas entre novembro e abril – período considerado verão expandido -, segundo a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe).
No ano passado, o volume de vendas atingiu 10,7 bilhões de litros. Com isso, o Brasil se iguala à Alemanha, na terceira posição do ranking cervejeiro mundial. A liderança é da China, que produz 35 bilhões de litros por ano. Em segundo lugar está os Estados Unidos, com 23,6 bilhões de litros, segundo o Sindicerv.
No entanto, quando o assunto é consumo per capita, o Brasil ocupa uma posição de menor destaque com seus 50 litros/ano por habitante. O país está em nono lugar, atrás de países como Espanha, Japão e México. A República Checa é a maior consumidora mundial de cerveja com 158 litros/ano por habitante.
‘Ajudinha’
O advogado Marcos Alves de Souza e o técnico em eletrônica Valdir Teixeira estão entre os milhões de brasileiros que têm ajudado a elevar, aos poucos, o consumo per capita no País. Ambos se encontram com regularidade no boteco que fica perto do local onde eles trabalham, no Centro da cidade.
Em média, eles tomam três garrafas de cerveja cada um toda vez que visitam o boteco. Entre um gole e outro, eles conversam sobre tudo. “Nosso papo é variado. Falamos de política, futebol, literatura. Nossa reunião é multicultural”, brinca Marcos.
Valdir diz que uma das vantagens de beber sempre no mesmo boteco é a de criar amizade com o dono a ponto de poder reclamar da cerveja quente sem nenhum constrangimento. Segundo ele, também existe o horário certo para o happy hour. Nunca antes das 18h. “Se for antes desse horário, bate um sentimento de culpa, a não ser que seja no fim-de-semana”, diz.
Para ambos, além da bebida, tem de ter também o acompanhamento. Este é um item indispensável na mesa. Pode ser um torresminho, churrasquinho, batata frita, calabresa, frango à passarinho (o preferido), entre outras opções.
Uma combinação perfeita, porém, combatida pelos profissionais da área da saúde. Segundo eles, é muita caloria em tão pouco tempo . E, o que é pior, consumida por pessoas que, normalmente, levam uma vida sedentária.
Mas com ou sem acompanhamento, com baixa ou alta concentração de calorias, o levantamento de copo continuará sendo um dos “esportes” mais apreciados pelos brasileiros, especialmente no verão, e ainda mais em época de Carnaval.