Tribuna do Leitor

Categoria dividida e subtraída


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Gostaria de deixar registradas nesse espaço minha decepção, frustração e indignação com o processo de atribuição de aulas que aconteceu há alguns dias. Ao mesmo tempo em que informo à sociedade alguns pontos “obscuros” a cerca de como acontece às atribuições, percebo que parte da opinião pública está equivocada sobre nossas categorias... Hoje (12/02/10) participei do processo de atribuição de aulas para o ano letivo 2010. Nunca me senti tão envergonhada em fazer parte dessa categoria. É muito triste ver colegas com 20 anos dedicados ao magistério sem aulas... E me perguntei: “Será que vale a pena?” Cada início de ano é essa incerteza... Amo o que faço, porém o amor não enche barriga, então... Talvez seja melhor procurar outros horizontes... Venho adiando, mas acredito que chegou o momento (me dói muito deixar a profissão que tanto amo, entretanto necessito de segurança para me dedicar aos meus alunos, caso contrário seria muito cruel, tanto para os alunos, como para mim).

Infelizmente, meu colega tem se digladiado nesses processos anuais e não percebem que somos manipulados por “forças maiores” que nos dividem em categorias para nos colocarmos uns contra os outros... Já que as categorias são beneficiadas ou prejudicadas de acordo com as outras. Neste ano, como no anterior, fomos avaliados. Mas uma dúvida ronda minha cabeça... De acordo com as capacitações e orientações, fica claro que não podemos avaliar nossos alunos de uma única maneira (Eu concordo), não é a nota de uma prova que pode atestar se um aluno “abstraiu” determinado assunto, no entanto, quando falamos no trabalho docente uma nota em uma prova/avaliação pode caracterizar o BOM e o MAU professor!... O fato de ir melhor ou pior em determinada avaliação garante que sou melhor ou pior do que um colega? Posso garantir que não! Uma avaliação em um determinado dia não justifica o trabalho de um ano todo, até por que o trabalho em sala de aula exige não só conhecimento técnico; exige muito mais percepção, carinho, respeito e muito, muito amor. A relação entre aluno e professor é o que garante avanços significativos no processo de ensino aprendizagem, não apenas a qualidade técnica do profissional em sala. Nesta semana, o que presencie vi foi uma classe desunida, desesperada, prejudicada; e arrisco dizer massacrada por um sistema contraditório e arbitrário.

E para ilustrar isto poderia citar inúmeros exemplos, pessoas que tiveram aulas atribuídas compulsoriamente, pois o Estado garantiu a estabilidade para uma das categorias (10 aulas, cerca de 450,00), porém, o que não é divulgado é que para que esse “direito” seja garantido o professor deve aceitar esse “presente” em qualquer região disponível, logo, não tardou em surgir colegas com aulas em Domélia, Arealva, Avaí, Lençóis Paulistas e outras simpáticas cidades que compõem nossa região. Agora, eu pergunto a você, leitor: você sairia da sua cidade para ministrar duas aulas em Lucianópolis na segunda-feira, na terça-feira mais uma, na quarta duas, na quinta três e assim por diante? Sim, caro leitor!

Essa é a vida de quem passou quatro, cinco até seis anos estudando e que estuda todos os dias para garantir uma educação de qualidade para nossas crianças e jovens; Andar, viajar, rodar... cerca de 60 km para ministrar 2 aulas, por dia. (Nossa estabilidade é garantia...!).

Prof. Gislene Sena de Moraes Marata

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