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Bauruense pega peixe com aliança e salva casamento

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

O relato que será contado a seguir bem poderia ser confundido com um desses “causos” de pescador que circulam pela boca do povo. Porém, os personagens garantem que a história é verídica. No tempo em que ainda era adolescente, Luiz Carlos Sardinha costumava se dirigir todos os dias à barranca do rio Mogi Guaçu, no município de Leme (região de Pirassununga), para pescar curimbatás.

“Eu preferia pescar com vara, embora fosse bem mais difícil - o curimbatá é um peixe muito ligeiro. Nunca gostei de usar rede”, explica Luiz, 52 anos, também conhecido como Cigano, que vive em Bauru há aproximadamente duas décadas e trabalha como corretor de imóveis, além de ser cantor na horas vagas.

Numa dessas pescarias adolescentes, Cigano, então com 14 anos de idade, envolveu-se numa situação no mínimo inusitada: fisgou uma aliança que estava há meses perdida. O encontro da joia ajudou a salvar um casamento que ameaçava ruir.

Certo dia, em 1971, o comerciante Flávio Benedito Terossi (que faleceu em 2008), também morador de Leme, resolveu pescar na beira do rio Mogi. Só que enquanto ele jogava quirera para atrair os peixes, a aliança escapou de seu dedo e foi parar no fundo do manancial.

Flávio procurou, procurou, procurou, mas não conseguiu localizar a joia. O pior é que aquela não era a primeira vez que ele perdia um anel de compromisso. Quando chegou em casa, teve de fazer malabarismos para explicar o caso à esposa Maria Aparecida Micheloto Terossi.

“Minha mãe não acreditou na história que meu pai contou. Os dois discutiram bastante. Ela dizia para ele: ‘Nunca perdi minha aliança. Como você conseguiu perder a sua?’”, recorda-se o filho Flávio Heitor Terossi, também conhecido como Flavinho, que na época do sumiço da joia tinha 5 anos de idade. Hoje ele está com 38 anos e vive em Leme, onde trabalha como comerciante e médico veterinário.

Maria Aparecida, que atualmente tem 80 anos de idade, admite ter ficado zangada com o marido. Porém, ela garante que a situação não foi tão grave como as pessoas imaginaram na época. “Nunca fui de ficar brava. Quando a aliança sumiu, a gente conversou... Mas eu não acreditava muito nas explicações que ele me dava”, afirma.

Enquanto o casamento de Flávio e Maria balançava, Luiz seguia com suas pescarias. “Eu ia para a beira do rio de segunda a sexta-feira e vendia os peixes para um restaurante da cidade”, diz. Cigano conta, porém, que certa noite teve um sonho que o deixou intrigado.

“Uma voz surgiu para mim, no meio da noite, dizendo que eu havia sido escolhido para solucionar uma situação muito difícil que estava acontecendo aqui na terra”, garante. O sonho premonitório ocorreu na sexta-feira. Segunda-feira, como de costume, Luiz rumou para a barranca em busca dos peixes.

“Do meu lado, naquele dia, havia um senhor que me pediu para ensiná-lo a pegar curimbatá”, afirma Luiz. Até então, o garoto não fazia ideia de que, a alguns metros dali, Flavinho e seu avô paterno, o comerciante Vitório Terossi, também tentavam apanhar alguns peixes.

Segundo Luiz, o dia não estava dos melhores, mas ainda assim os curimbatás vieram aos punhados. “Só que não eram muito grandes. Os maiores pesavam um quilo, apenas”, afirma. De repente, o adolescente notou um leve movimento na linha e puxou a vara. Quando o anzol emergiu, todos à sua volta ficaram estupefatos.

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