Pesca & Lazer

História de pescador: O susto


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Na década de 80, não precisava ir muito longe para fazer uma boa pescaria de lambaris, era só ir no rio Batalha, na ponte da Rondon que fica perto de Avaí. Era naquele local que eu ia quase todo sábado fazer a minha pescaria, mas naquele dia tinha algo de anormal que vinha rio abaixo.

Era uma cantoria e um barulho de tambores, mas eu não liguei. Me acomodei na barranca do rio e iniciei a pescaria, que naquele dia estava ótima. E em pouco tempo já tinha fisgado vários lambaris.

Estava bem distraído com os lambaris quando senti algo nas minhas costas. Era um graveto que alguém atirou. Me virei de repente e não vi ninguém. Voltei a pescar e outro graveto. Tornei a me virar e outra vez nada. E assim foi por diversas vezes e o barulho cada vez mais forte.

Comecei a ficar cismado e disse para mim mesmo: “Aí tem coisa”. E comecei arrumar as traias para me arrancar daquele local, quando levei o maior susto. Ao me virar para trás, dei de cara com o atirador de arbusto!

Era um amigo meu, o Luiz carcereiro, que estava a rir devido o meu susto. Com a maior cara-de-pau perguntou se eu tinha assustado. Respondi: “Eu quase caí no rio de susto”.

Era ele que tinha trazido uma turma para fazer um trabalho de saravá. Era o barulho dos tambores que eu estava ouvindo. Depois de eu muito xingar o meu amigo-da-onça, tudo ficou numa boa. Hoje em dia está difícil de pegar uns lambaris naquele local, mas que dá saudade dá dos bons tempos de outrora.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias.

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