Internacional

Cuba: dissidente é sepultado; cem são presos

Folhapress
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Havana - O prisioneiro político cubano Orlando Zapata Tamayo, que morreu na terça após fazer 85 dias de greve de fome, foi enterrado ontem em Banes, cidade de sua família, a 850 km de Havana, em meio a um forte esquema de segurança oficial. Segundo ativistas de direitos humanos, o governo cubano fez uma série de detenções breves - na cidade e na estrada - para impedir que oposicionistas participassem da cerimônia.

Ao menos cem dissidentes cubanos foram detidos temporariamente pelas forças de segurança do governo. A denúncia sobre as detenções foi feita pela Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação. A maioria dos presos foi liberada.

Elizardo Sánchez, opositor ao regime cubano, disse que as detenções foram feitas “sob ameaça de prisão formal” e ocorreram “principalmente no leste da ilha, sobretudo em Holguín”. Na mesma região fica a aldeia de Banes, onde nasceu Tamayo, a 850 quilômetros a leste de Havana.

De acordo com Sanchéz, as autoridades “demoraram no traslado do corpo” a Banes para que os familiares fossem obrigados a “enterrá-lo em duas horas”.

“A família se opôs com veemência e eles foram obrigados a ceder”, afirmou.

O presidente cubano, Raúl Castro, lamentou a morte do opositor, mas desagradou a comunidade internacional ao negar a prática de torturas em Cuba. Ele responsabilizou o governo dos Estados Unidos, o qual acusou de financiar a oposição com US$ 50 milhões anuais.

“A morte de meu filho tem que me dar muita força. Eu não aceito mensagem de condolências de Raúl Castro, porque eles mataram meu filho”, disse a mãe do dissidente político, Rosa Tamayo, 60 anos, cuja residência é vigiada por agentes de segurança.

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