Um trágico acidente envolvendo cinco veículos resultou na morte de duas pessoas e em ferimentos leves em outras duas no final da tarde de ontem, na rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu. A ocorrência foi registrada às 17h30, no quilômetro 242 mais 700 metros, nas imediações da ponte sobre o rio Batalha, na divisa com Piratininga.
As vítimas fatais, que até o final da noite ainda permaneciam retidas nas ferragens, eram funcionários da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), empresa que assumiu a administração da via no início do ano passado.
O engenheiro Sávio Fonseca da Cunha, 27 anos, e o colega de trabalho Marcos Barbosa Senkiv, 28 anos, transitavam com o Gol da Cart, placas LKV 9288, de Bauru, após um dia de serviço, quando colidiram frontalmente com um caminhão que teria tentado uma ultrapassagem proibida e invadido a pista em que eles estavam. A destruição foi tamanha que o trânsito precisou ser interditado, ora parcial, ora integralmente, por mais de cinco horas.
De acordo com o relato de testemunhas, Rogério Colasso, 28 anos, dirigia seu caminhão Mercedes Benz placas CNI 6765, de Cafelândia, no sentido Bauru-Piratininga, quando teria tentado ultrapassar uma carreta que transitava logo à sua frente, também um modelo Mercedes Benz, placas ANS 8168, de Londrina, conduzido por Roberto Carlos Lopes, 43 anos. Colasso pretendia entregar um carregamento de madeira em Piratininga, mas não conseguiu realizar a ultrapassagem nas proximidades da ponte sobre o rio Batalha porque uma outra carreta que transportava produtos alimentícios e que vinha na direção oposta estava próxima demais.
O veículo que seguia no sentido Piratininga-Bauru era um Volvo FH, placas ARS 6518, de Curitiba, dirigido por Natalino Caldeira de Oliveira, 48 anos. Ao perceber que Colasso trafegava na contramão emparelhado com o veículo de Lopes, Oliveira desviou bruscamente para o acostamento para evitar a colisão e acabou tombando.
Sem visão
Logo atrás dele, no entanto, vinha o Gol da Cart. Ao que tudo indica, Cunha, que dirigia o carro, não tinha visão do que ocorria à frente e não teve tempo hábil para evitar a colisão fatal. “Quando eu vi, ele (Colasso) já estava com metade do caminhão na pista contrária, tentando ultrapassar a minha carreta, me prensando. Do outro lado da pista, vinha o motorista do Volvo, que jogou a carreta de lado. Só aí o Gol conseguiu ver o que estava acontecendo. Não dava tempo para nada”, relembra Lopes, que transportava defensivos agrícolas em seu Mercedes Benz.
Ao ser atingido frontalmente pelo caminhão, o Gol foi completamente destruído, capotou e por pouco não caiu dentro do rio. Com o impacto, o caminhão rodopiou na pista e tombou no acostamento, no sentido contrário ao que seguia.
Madeira na pista
A carga de madeira se espalhou por toda a pista e atingiu ainda uma caminhonete S10, placas APP 5444, de Londrina, que tinha Marcos Freire de Almeida, 33 anos, como condutor. “Quando eu vi o que ia acontecer, eu fui freando o máximo para tentar não me envolver no acidente, mas a madeira caiu por todos os lados da S10 e eu não consegui sair do lugar”, conta Almeida.
O motorista do caminhão que provocou o acidente teve ferimentos leves, assim como Oliveira, que tombou sua carreta ao tentar desviar. Ambos foram socorridos pelo serviço de socorro médico da Cart e encaminhados ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. Eles não correm risco de morte.
Na avaliação do comandante do 1.º Pelotão de Policiamento Rodoviário do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária (2.º BPRv), tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, o declive acentuado do trecho da rodovia próximo à ponte sobre o rio Batalha pode ter contribuído para que o acidente ocorresse. No entanto, ele ressalta que o local é bem sinalizado sobre a proibição de ultrapassagem, exatamente pelo risco que representa.
“Esse trecho favorece a alta velocidade. Mas, neste caso, a gente acredita que o acidente esteja intimamente relacionado à imprudência de um ou mais condutores. Mas todas as circunstâncias ainda terão de ser apuradas”, destaca.
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Lentidão
O acidente registrado por volta das 17h30, horário em que um grande fluxo de veículos utiliza a rodovia Bauru-Ipaussu para transitar entre Bauru, Piratininga e cidades vizinhas. Com a necessidade da primeira interdição da pista para a retirada das madeiras que haviam se espalhado e para o socorro das vítimas, um grande congestionamento começou a se formar.
Transcorridos 15 minutos, meia pista foi liberada no sistema ‘Pare e Siga’, em que os veículos que seguem pelos dois sentidos transitam por apenas uma pista em períodos alternados. Mesmo assim o trânsito ficou lento, principalmente porque grande parte dos motoristas, curiosos, passavam devagar para tentar saber o que estava ocorrendo.
Às 20h10, a rodovia foi mais uma vez totalmente interditada para os trabalhos de perícia técnica e retirada dos corpos. Até as 21h30, o tráfego ainda continuava interrompido.
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Duplicação pode demorar
A duplicação dos 63,7 km da rodovia Bauru-Ipaussu está no pacote de concessão do corredor Raposo Tavares para a Cart. Mas a obra não é para já. O prazo é de 5 anos para iniciar a duplicação, com a promessa de conclusão até o sétimo ano da concessão, a partir do ano da outorga – 2008. O tempo entre o início e término da obra está vinculado à espera por aumento no volume de tráfego.
A duplicação do trecho entre Bauru e Santa Cruz do Rio Pardo deverá ser concluído em 2015, segundo a Cart informou através de sua assessoria de imprensa, em março do ano passado. Dados de 2006 do Departamento de Estradas de Rodagens (DER) apontavam que o trecho de pista simples de 63,7 km tinha média de 3.874 veículos por dia contra 9.851 do trecho duplicado entre Santa Cruz do Rio Pardo e o trevo da rodovia Castello Branco. Certamente estes números aumentaram bastante desde então, requerendo, possivelmente, nova medição. Posteriormente, gestões políticas indicaram que pelo menos a duplicação do trecho entre Bauru e Piratininga, justamente o do acidente de ontem, poderia ser antecipado.
A Bauru-Ipaussu, ao lado da Bauru-Iacanga, é uma das que mais registram acidentes graves no entorno de Bauru. As melhorias feitas pela Cart nos últimos 12 meses deixaram a Bauru-Ipaussu menos perigosa, mas sua estrutura de pista simples mantém alta a probabilidade de acidentes graves, notadamente colisões frontais, como a de ontem.
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Jovens retornavam do trabalho
Sávio Fonseca da Cunha era de Belo Horizonte e Marcos Barbosa Senkiv, de Itatinga. Ambos eram funcionários da área de Tecnologia da Informação da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart) e retornavam para Bauru após trabalho de manutenção em umas das torres do sistema de radiocomunicação da concessionária.
Segundo informações da assessoria de imprensa da Cart, a empresa se encarregou de comunicar a ocorrência pessoalmente às famílias e estava providenciando o traslado dos corpos para as cidades de origem, assim que ocorresse a liberação pelo Instituto Médico Legal (IML). A empresa providenciou também apoio psicológico para os parentes dos funcionários. O corpo de Sávio será enviado em avião fretado para Belo Horizonte.
Ainda conforme a assessoria, o presidente da concessionária, Ricardo Schittini Duarte, que estava no aeroporto de Campinas no momento do acidente, cancelou a viagem e retornaria para Bauru. “É um momento de muita dor para as famílias e para a Família Cart. Eram dois jovens, que morreram no exercício da função”, declarou.