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Bauruenses lamentam morte do padre Sjeng

Luiz Beltramin
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O padre holandês Sjeng Verdonschot, que na década de 70 foi pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida de Bauru, que na época era paróquia, morreu semana passada, aos 77 anos, em seu País. Vítima de um súbito e agressivo tumor na região do pescoço, que provocou o alastramento da doença pelo corpo, o religioso morreu no hospital na cidade de Nederweert.

Sepultado na quarta-feira passada, Verdonschot, apesar da raiz holandesa e ter retornado à terra natal, tem como uma das mais ricas passagens de sua trajetória o período em que atuou nas paróquias brasileiras, entre 1961 e 1998, estando à frente do santuário bauruense por, aproximadamente, uma década, durante os anos 70.

Religiosos e leigos lembram com saudade do comunicativo e dedicado catequista. Professor aposentado de língua portuguesa, Luiz Vítor Martinelo foi aluno de Verdonschot nos tempos de seminarista, em Itajubá, no sul de Minas Gerais. “Minhas maiores lembranças são desse tempo. Ele (Sjeng) foi meu professor de seminário após chegar da Holanda. Era muito brincalhão. A gente se divertia com ele quando ensinávamos, de propósito, palavras erradas em português. Ele achava graça, levava na brincadeira”, lembra Martinelo, com carinho.

Pego de surpresa ontem com a morte do ex-pároco do santuário bauruense, Martinelo conta que, ainda nos tempos do seminário em Minas, o padre holandês, como outra mostra de seu espírito jovial, também se arriscava a bater uma bolinha com os alunos. “Ele jogava com a gente, às vezes como beque”, detalha Martinelo, que destaca a didática do padre com os jovens aprendizes. “Era um excelente desenhista na lousa e tinha uma letra impecável”, enaltece.

Conterrâneo de Verdonschot, o padre Godofredo Scheepers, atual pároco do Santuário de Nossa Senhora Aparecida, endossa a grande facilidade que Sjeng tinha em lidar com os mais jovens, principalmente na catequese. “Uma de suas maiores qualidades era o fato de ser muito comunicativo”, destaca. “Convivia muita bem com os jovens, procurava sempre estar de igual para igual com eles, sem ‘salto alto’”, detalha o sacerdote, que, a partir de amanhã, passa o posto de pároco do santuário para o padre Júlio César Machado.

Filho de um casal religioso, o padre tinha um irmão clérigo e outro leigo e retornou ao seu País de origem para assumir a reitoria da basílica de Nossa Senhora do Sagrado Coração, na cidade de Sittard. Um dos sonhos de Verdonschot na juventude, recorda o padre Godofredo, era trabalhar no Brasil. “Isso ele realizou, trabalhando tanto nos Estados mais desenvolvidos quanto no Nordeste, mais pobre”, comenta o religioso. “Um homem muito bom, preocupado com a questão social”, completa Martinelo.

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