O “boom” de celulares de última geração, iPods e notebooks, principalmente entre os jovens, tem mudado o jeito de ver TV. O consumo dos conteúdos produzidos para a televisão continua, mas as pessoas estão passando menos tempo na frente da telinha tradicional. Ao invés de passar horas sentada em um sofá, uma parcela da população está optando por outros meios.
Pela primeira vez em dez anos, o tempo diante da TV caiu. Eram 3h04 em 1999 contra 2h39 no ano passado. Ou seja, em média, as pessoas estão ficando 25 minutos a menos na frente da TV convencional. Em compensação, o conteúdo de televisão continua sendo o mais consumido dentre as opções de entretenimento. São 38 minutos a mais em dez anos. O total chega a 4h29 diárias de programação em 2009.
Por trás desses dados aparentemente desconexos está a constatação de que o público jovem está trocando o jeito “clássico” de ver TV para acessar os conteúdos em aparelhos portáteis, como os citados anteriormente. A comodidade é apontada como uma das razões principais para essa mudança de comportamento.
Os dados fazem parte da pesquisa feita pela Kaiser Family Foundation em parceria com a Universidade de Stanford (EUA). Foram consultados 2.000 americanos entre 8 e 18 anos. Segundo o estudo, 59% dos entrevistados assistem ao programas pela TV, no horário em que eles são transmitidos. Outra parcela, 41% dos pesquisados, preferem assistir em outros aparelhos.
A preferência maior é pelo computador. Isso porque a ferramenta oferece várias opções ao usuário. Ao mesmo tempo em que assiste à TV na tela minúscula do notebook ou do desktop, ele pode ler e escrever e-mail, conversar via MSN e navegar por vários outros sites. O computador vira uma ferramenta multifuncional.
Para Juliano Maurício de Carvalho, coordenador do curso de mestrado em TV digital, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, essa é uma tendência que deve crescer muito no Brasil.
Ele usa dois argumentos para sustentar essa aposta. Um deles é o fato do Brasil ser o segundo país do mundo que mais aprecia conteúdos televisivos. A paixão do brasileiro pela TV só é menor que a do povo mexicano. O outro fator apontado por Juliano é o gosto que o brasileiro pegou pelo computador.
Segundo ele, uma pesquisa revelou que o computador é o eletrodoméstico mais desejado no País. Não é à toa que o Brasil é líder mundial em tempo de navegação na Internet, com 45 horas mensais.
Somado ao esforço do governo brasileiro em tornar a banda larga acessível a todos, a aposta do coordenador ganha ainda mais peso.
Para Juliano, a programação da TV não está conseguindo fisgar o público que tem entre 15 e 20 anos, que é justamente a “geração Internet”. É o público que não tem paciência para ficar horas assistindo a TV de forma passiva, por mais confortável que seja o sofá.
Percebendo isso, várias emissoras passaram a oferecer conteúdos na Internet. No site das TVs Globo, Record, SBT, Rede TV, Band, por exemplo, é possível assistir a alguns vídeos de matérias que foram ao ar.
Quem não teve tempo de assistir na TV convencional ou quer rever a matéria pode fazê-lo no site. Para isso, basta instalar alguns programas como Adobe Flash Player para visualizar as imagens. Quando o usuário tenta acessar o conteúdo e não tem o programa instalado, o próprio site avisa e pergunta se quer instalar o programa.
Praticamente todos os canais de TV do Brasil e do Exterior possuem a opção no site de assistir aos conteúdos quando e onde o telespectador desejar.
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Programação on line invade o mundo
Além de representar um grito de independência dos telespectadores que não precisam mais ficar presos no sofá para assistir à TV, os conteúdos televisivos online possibilitam que os mesmos sejam vistos por pessoas que não teriam essa oportunidade se não fosse a Internet.
Um exemplo disso é a TV Preve, de Bauru. Desde 2008, a emissora passou a transmitir ao vivo na Internet. O mesmo conteúdo que é visto nos aparelhos de TV convencionais é exibido, simultaneamente, para o mundo todo via web.
Em uma viagem que fez a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Duda Trevizani, fundador da TV Preve, ficou emocionado ao ver em um telão as imagens que estavam sendo geradas pela sua emissora, em Bauru.
O técnico em informática Paulo Rodokas conta que tem recebido e-mails de pessoas de várias partes do mundo dizendo que estão assistindo a programação da TV bauruense no país em que estão e que assim sentem-se mais próximos da terra natal.
“Esses dias, recebi um e-mail de uma pessoa que mora na Ásia dizendo que havia acordado de madrugada para assistir ao jogo do Noroeste”, relata.
Somente em janeiro, foram mais de 16 mil acessos à TV Preve online. A maior parte feita no Brasil. No Exterior, os países que mais acessaram a programação da emissora foram, pela ordem, Japão, Turquia, Rússia, Itália, Holanda, Grécia e Portugal, entre muitos outros.
No ano passado, a média mensal de acessos ficou em 12 mil. O pico de audiência, segundo Paulo, foi alcançado em 2008, na cobertura das eleições municipais. Para acessar a programação basta entrar no site www.tvpreve.com.br e clicar sobre o link “assista ao vivo”.