Se os ministros da Cidades, Márcio Fortes, e das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, cumprirem o compromisso de liberar ainda neste ano mais R$ 7 milhões para a conclusão da primeira alça do viaduto inacabado (estimada em R$ 10 milhões), Bauru iniciará uma nova batalha. Desta vez, para conseguir levantar recursos para pagar as futuras desapropriações que serão necessárias para dar vazão ao fluxo de veículos provocado pela nova via.
De acordo com estimativas de profissionais envolvidos no projeto, somente o valor das desapropriações no entorno da obra, que ligará a avenida Nuno de Assis à avenida Alfredo Maia, pode chegar a R$ 30 milhões. Isto será necessário porque o município terá de se preocupar com o escoamento do trânsito, principalmente na chegada à Vila Falcão.
É que, uma vez concluída a alça, os veículos que saem da avenida Nuno de Assis e passam pelo viaduto vão desembocar na estreita avenida Alfredo Maia, próximo à Praça Espanha e ao viaduto Mauá, que está parcialmente interditado desde 2008.
Trata-se de uma região onde o trânsito já é complicado nos horários de pico, com pontos de congestionamento nos viadutos Mauá e Eufrásio de Toledo e na avenida Castelo Branco. Se nenhuma obra viária for feita para melhorar a fluidez do trânsito naquele local, ao invés de resolver um problema, a conclusão do viaduto provocará outros ainda maiores à região.
Pela projeção feita por Adelmo Bertussi, responsável pela divisão de projetos da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), uma alça do viaduto comporta fluxo de aproximadamente 1.500 veículos por hora em momentos de pico.
É fundamental, portanto, que o sistema viário tenha condições de dar vazão a esse fluxo, ou parte dele, sem complicar ainda mais o trânsito na chegada à avenida Alfredo Maia, na Vila Falcão. Na chegada à avenida Nuno de Assis não haveria problema porque ela já está duplicada e o trânsito no local não é tão intenso.
Então, a duplicação da avenida Alfredo Maia (que de avenida só tem o nome, na verdade não passa de uma rua simples) e o alargamento da pista na praça Espanha são essenciais para que a conclusão do viaduto não se transforme em um pesadelo para os motoristas. Além dessas duas intervenções, será preciso construir vias que favoreçam o escoamento rápido do trânsito. Depender das ruas que já existem para esse escoamento é muito temerário, na avaliação de Bertussi.
A tendência natural é que os motoristas usem a rua Campos Salles. Como ela já está quase saturada nos horários de pico, os veículos a mais, trazidos pelo viaduto, só piorariam a situação.
Aumento do fluxo
De acordo com o engenheiro Aníbal Ramalho, responsável pela área de sistema viário na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), com a alça concluída é muito provável que os motoristas que utilizam o Jardim Bela Vista como rota alternativa para chegar à Vila Falcão passem a usar o viaduto, o que aumentaria o fluxo na Alfredo Maia. Ele mesmo seria um exemplo disso.
Para escapar do trânsito carregado do Centro e da avenida Pedro de Toledo, que leva à Falcão, o engenheiro da Emdurb prefere fazer o caminho que passa pelo Jardim Bela Vista. “Além de mim, há muitos outros motoristas que fazem o mesmo”, afirma. Com a alça concluída, ele acredita que todos deixarão de usar o caminho alternativo e passarão a utilizar o viaduto, ampliando o tráfego na região.