Um preso morre em Cuba após assim decidir, prosseguindo numa greve de fome. O presidente Lula assim já procedeu no passado, assim como meu amigo Duílio Duka, por aqui. Quem entra nessa sabe dos riscos. E se não for atendido? Encerra tudo ou prossegue. Para cada caminho, uma conseqüência. O julgado e condenado Zapata preferiu ir até o fim. Tudo muito triste, sem nenhuma culpa do governo cubano. Queriam o quê? Que o governo pelo qual o preso lutava para derrubar lhe obrigasse a comer? Aonde acontece isso? Dou razão ao presidente cubano Raúl Castro quando diz que aceita “discutir todos os problemas que tiveram, mas em igualdade de condições”. Que quer dizer ele com isso? Simples. Um peido cubano repercute mundo afora com estardalhaço incomum, enquanto que bombas mil dos EUA continuam a matar todos os dias e a repercussão é pífia. Pior que tudo isso é continuar ouvindo por aqui que Dilma é terrorista e o tal do Zapata um libertador. Insanidade pura, elevada a extremos.
E aí ouço que “os EUA pedem a libertação dos presos políticos cubanos”. Pergunto: Com que autoridade? Guantánamo está aí para provar que eles podem tudo, as fotos daquela prisão e das atrocidades no Iraque idem, sem contar que mantém em cárcere cinco mártires cubanos sob suposta alegação de espionagem. Para o lado dos EUA tudo é permitido e tolerado, sem barulho na mídia, já de Cuba, exigências mil e dá-lhe barulho. Tenham dó. Meu alento é que não ouço denúncia nenhuma do sistema carcerário cubano, já do norte-americano espalhado pelo mundo, só atrocidades. Gozado, não?
E o presidente Lula lá esteve e tentaram lhe encostar na parede por uma suposta carta de denúncias, que nem chegou às suas mãos. Todos querem que Lula coloque sua popularidade a serviço dos seus interesses. Ele agiu acertadamente, assinou acordos, inaugurou uma obra com participação brasileira e continua prestando apoio a um dos únicos países a nos dar esperanças de que um outro mundo é mais do que possível. Basta comparar os índices dos indicadores sociais entre Brasil, Cuba e os EUA e constataremos quem mais faz pelo povo de seu país. Essa é a verdade, na pobre Cuba vive-se melhor e que vá estudar quem duvidar, pois contra fatos não existe discussão. Imagine um país viver sem o capitalismo predatório? Precisa ser rapidamente eliminado, sendo jogado muito cal sobre todas suas realizações, para que nunca mais aconteça uma insolência de tamanha gravidade.
Henrique Perazzi de Aquino