Polícia

Homem é morto com mais de 10 tiros

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

O mecânico de refrigeração Ânderson Antônio Ribeiro, 22 anos, foi assassinado a tiros, ontem de madrugada, no Jardim Cruzeiro do Sul, região leste de Bauru. O corpo da vítima apresentava mais de dez ferimentos, sendo um deles na nuca, o que indica o chamado “tiro de misericórdia”, comum em casos de execução. Até ontem à tarde não havia pistas do autor do crime.

O crime teria ocorrido por volta das 5h. Foi nesse horário que os moradores da quadra 9 da rua Capitão Alcides ouviram os disparos (há quem afirme que foram 12 no total) que levaram à morte do mecânico. A polícia apurou que, às 20h de anteontem, a vítima saiu de sua residência, no Jardim Solange, zona oeste da cidade, dirigindo o carro de sua mãe, uma Brasília placas CQW 6910, de Agudos.

Ontem pela manhã, o veículo ainda podia ser visto, estacionado próximo ao cruzamento da rua Paraná com a avenida Duque de Caxias. A alguns metros dali existe um posto de combustíveis que costuma servir de ponto de encontro para jovens das redondezas.

Ribeiro teria passado a noite toda na loja de conveniência do posto de combustíveis. Existe a possibilidade de o rapaz ter consumido álcool e drogas, mas isso só será confirmado depois que o Instituto Médico Legal (IML) realizar os exames necessários no cadáver da vítima.

No interior da Brasília abandonada, a Polícia Científica localizou uma pequena quantidade de uma substância branca, que aparentava ser cocaína. O delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que investiga o caso, encontrou na carteira da vítima vestígios de maconha e de cocaína.

Em conversa com a reportagem, familiares de Ribeiro admitiram que ele era de fato usuário de entorpecentes. “A gente falava para ele sair dessa vida, mas ele não nos dava ouvidos”, confessou um irmão do rapaz, que pediu para não ser identificado na matéria. Os dois trabalhavam juntos na mesma oficina de refrigeração.

O fato de Ribeiro ser usuário de drogas também foi informado às autoridades. Contudo, a família alega que a vítima não tinha desafetos nem costumava se envolver em brigas. Os parentes não souberam dizer quem eram as pessoas com quem o jovem costumava sair para se divertir.

Após os tiros, vizinhos afirmam ter ouvido sons semelhantes aos de alguém correndo com sapatos de salto alto. Isso poderia indicar que havia uma mulher na cena do crime. A reportagem apurou que Ribeiro tinha uma namorada. Só que, na noite do crime, ela estaria em outra parte da cidade.

O delegado plantonista Adriano Crês confirmou que Ribeiro tinha passagem na polícia por furto, além de porte de arma e de entorpecentes. “Por enquanto, ainda é muito cedo para fazermos qualquer tipo de afirmação sobre esse caso”, disse.

Até ontem, a hipótese mais plausível era que a situação que levou ao homicídio tenha se iniciado nas dependências do posto de combustíveis. Talvez pelo fato de a Brasília ser bastante antiga (ela aparenta ter problemas mecânicos), Ribeiro preferiu tentar fugir a pé de seu agressor (ou agressores).

Ele teria corrido da rua Paraná até a entrada de uma garagem na Capitão Alcides, onde, por sinal, foram encontrados os primeiros sinais de sangue. Ribeiro foi alvejado nas pernas, nas nádegas e nas costas, muito provavelmente com uma pistola calibre 380 (para ser confirmado, esse dado depende da conclusão dos exames periciais).

O assassino efetuou mais dois disparos quando Ribeiro posicionou-se defronte à carcaça de um Del Rey laranja, que se encontrava abandonado na rua. Aparentemente, ele estava sentado (ou mesmo ajoelhado) no instante em que recebeu os tiros, hipótese que se sustenta pela altura das marcas de bala existentes na lataria do carro.

Quem passou pelo local, ontem de manhã, podia de observar os últimos resquícios do assassinato cometido algumas horas antes. No chão, próximo à carcaça do Del Rey, restava uma pequena poça de sangue coagulado, resultado, talvez, do tiro de misericórdia. Em volta, grupos de curiosos cochichavam entre si, tentando entender as razões para um crime tão brutal.

Um expressão de perplexidade tomava conta dos olhares dos parentes da vítima. Ninguém chorou, a não ser uma cunhada do rapaz, e isso ao comentar a respeito de um bebê que acabara de ficar órfão. “O filhinho dele (de Ribeiro) vai completar 1 ano de idade, em 26 de março. Ia ser também o aniversário dele (da vítima). Os dois nasceram no mesmo dia”, comentou.

A apuração do crime ficará sob a responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru. O proprietário do posto não foi encontrado para comentar sobre o caso.

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Posto é alvo de reclamações

Vizinhos do lugar em que o mecânico de refrigeração Ânderson Antônio Ribeiro, 22 anos, foi assassinado aproveitaram a presença da imprensa para reclamar do movimento existente no posto de combustíveis situado no cruzamento da rua Paraná com a avenida Duque de Caxias, provável local onde o caso teria se iniciado.

Uma mulher de 65 anos, que pediu para não ser identificada, queixou-se do barulho no estabelecimento. “Desde que inauguraram a loja de conveniência no posto, ninguém na vizinhança consegue mais dormir à noite. Eu, por exemplo, estou acordada desde as 2h da madrugada”, afirmou.

Ela diz que o local é frequentado por traficantes e usuários de drogas. “Estava demorando para sair uma morte lá”, diz. A reportagem apurou que as polícias Civil e Militar costumam receber diversas reclamações de moradores a respeito dos problemas existentes no posto. O proprietário do estabelecimento não foi encontrado para se manifestar sobre o caso.

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