Quando o assessor administrativo Ricardo da Trindade Oliveira perdeu o emprego, ele não precisou pagar a conta de energia elétrica durante seis meses. Além de deixar de gastar cerca de R$ 720,00 durante esse período, uma vez que a despesa girava em torno de R$ 120,00 ao mês, ele ainda recebeu um vale alimentação no valor de R$ 150,00, aproximadamente, para ajudar na compra de mercado.
Tudo isso foi coberto pelo seguro em caso de desemprego de R$ 4,25 que ele paga todos os meses desde 2003. E não foi uma vez só que ele foi beneficiado pelo serviço, mas duas. E nas duas vezes que ficou desempregado teve direito ao benefício. Mesmo tendo conseguido emprego um mês depois da demissão, o seguro continuou pagando a conta de energia até completar os seis meses prometidos. “O valor torna-se irrisório perto das vantagens que o seguro oferece. Nas duas vezes que eu precisei foi um alívio muito grande”, ressalta.
Quando foi admitida por uma rede de loja do ramo de confecções, a vendedora Elizângela Aparecida Lopes ficou sabendo que o próprio estabelecimento oferecia um seguro em caso de desemprego. Por apenas R$ 1,95 por mês, ela ganhou o direito de receber da seguradora um valor de até R$ 300,00 para quitar suas dívidas com a loja.
E a parcela do seguro só era cobrada se ela tivesse compras financiadas. Se pagasse à vista ou não fizesse compra naquele mês, não era preciso pagar o seguro. “Como eu fazia compras de roupa quase todo mês, achei que era vantajoso contratar o seguro”, conta a vendedora. “Além disso, quem não é funcionário público está sempre correndo o risco de ser mandado embora”, lembra.
Ela pagou o seguro durante quatro anos. Em dezembro passado, Elizângela deixou a loja e recebeu os R$ 300,00 para ajudar a quitar as compras feitas nos meses anteriores. “Não deu para pagar tudo, mas ajudou bastante”, relata.
Ricardo e Elizângela fazem parte dos 30 milhões de brasileiros que aderiram ao seguro popular. São seguros cujo valor mensal dificilmente ultrapassa a casa da dezena de reais e custam menos do que um cafezinho ou sorvete. Por causa do baixo custo, têm atraído um grupo cada vez maior de consumidores.
A participação desse tipo de seguro no mercado nacional ainda é tímida. Enquanto o segmento do seguro tradicional movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano, os seguros populares respondem por apenas R$ 1 bilhão. No entanto, com a ascensão financeira e social das classes mais baixas, a previsão é de que o mercado do seguro popular cresça cerca de 30% somente este ano.
Leque de opções
O leque de opções está cada vez maior e o preço tem atraído os consumidores. É possível encontrar seguros para cobrir os mais variados infortúnios. Além do seguro em caso de desemprego, existem outros que cobrem morte, invalidez, acidente, perda, furto ou roubo do cartão, dano à residência, pane em veículo e serviços residenciais.
Na maioria das vezes, os segurados concorrem a prêmios em dinheiro pela loteria federal todos os meses - em alguns casos, toda a semana.
A garantia estendida é uma das modalidades de seguro mais procuradas pelo consumidor. Por um valor a mais, é possível aumentar o tempo de garantia do produto adquirido. A procura é maior quando se trata de equipamentos de alto valor, como geladeira, TV e lavadora. Além da garantia oferecida pelo fabricante do produto, a loja oferece dois ou três anos a mais de proteção contra todos os defeitos cobertos pela garantia convencional.
A auxiliar de almoxarifado Erica Sanches Martins é uma adepta desse tipo de seguro. O último que ela fez foi de uma lavadora, na semana passada. Além da garantia de um ano do fabricante, ela contratou mais três anos junto à loja onde comprou o produto. Assim, ela diz que fica mais tranquila quanto ao retorno do investimento que fez. “Eu acho mais seguro, ainda mais quando se trata de uma lavadora, que eu uso bastante”, justifica.
Precavida, Erica estendeu a garantia de outros produtos. Fazem parte da lista a geladeira, o celular e um colchão. “Acho que compensa. É um valor que pesa pouco no orçamento e ainda nos deixa tranquilos por um bom tempo”, pondera.
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Mercado tem novidades à vista
Os consumidores que optam pelo seguro popular, geralmente, são chefes de família, têm entre 32 e 47 anos e estão preocupados com a tranquilidade de seus familiares em caso de imprevistos. Este é o perfil traçado pela Aon Affinity Latin America, que está há 12 anos no mercado e possui mais de 12,5 milhões de clientes.
Para aumentar ainda mais sua participação, a empresa tem planos de lançar ainda este ano a modalidade garantia estendida para produtos usados. A empresa não detalhou como isso será feito, mas a ideia é oferecer o mesmo serviço que é oferecido aos produtos novos.
A Aon Affinity está presente em 85% do território nacional, graças à parceria com empresas distribuidoras de energia, de telefonia fixa e redes varejistas e financeiras.
Outras novidades à vista são a garantia estendida para tênis e o seguro para relógios e óculos de grau e de sol, que terão cobertura em caso de quebra, riscos ou roubo. As opções deverão ser lançadas pela Classic Corretora de Seguros, que está no mercado desde 1993.
Cortesia
Não foram somente as grandes redes de lojas que despertaram para a importância de oferecer serviços diferenciados as seus clientes como forma de cativá-los. As empresas de seguro também estão fazendo isso. No caso da Millemax Corretora de Seguros, esses serviços são oferecidos gratuitamente aos segurados, como cortesia.
Entre os benefícios colocados à disposição dos clientes que têm seus bens segurados pela empresa estão os serviços de encanador e eletricista, que vão desde a limpeza da caixa d’água, verificação da instalação elétrica e hidráulica até a retirada de entulho, fixação de quadros, prateleiras, persianas, troca de lâmpadas e instalação de olho mágico nas portas.
Os segurados da Millemax têm direito a uma chamada por ano. Por isso, a corretora de seguros Leonice Fasoni Rodrigues diz que sempre orienta seus clientes a aproveitarem essa única chance para fazer tudo o que precisam, porque não dá para solicitar os serviços por uma segunda vez no ano. Ela lembra que não é cobrado pelo serviço mas caso seja preciso trocar alguma peça, o custo fica com o cliente. A cortesia é só para a mão de obra.