Bagdá - As eleições parlamentares do Iraque foram encerradas ontem, às 17h (horário local, por volta das 11h em Brasília), após uma série de ataques que marcaram a votação e deixaram 31 pessoas mortas e mais de cem feridos. Foram 20 atentados apenas na capital Bagdá. Apesar do forte esquema de segurança, insurgentes ainda conseguiram desencadear uma série de ataques com bombas, foguetes e morteiros com o intuito de intimidar os eleitores.
Os iraquianos esperam que as eleições reconcilie o país enquanto os EUA preparam a retirada de tropas até o final de 2011. O primeiro-ministro Nouri al-Maliki está lutando por seu futuro político, com os desafios de uma coalizão de maioria xiita de grupos religiosos de um lado e, no outro, uma aliança secular combinando xiitas e sunitas. Ele votou logo após a abertura das votações e se mostrou confiante de que os atentados não afetariam as eleições. Cerca de 19 milhões de iraquianos eram esperados para eleger quem vai conduzir o país durante a retirada norte-americana.
Num dos ataques mais violentos durante as eleições, ao menos 14 pessoas morreram no nordeste de Bagdá em uma explosão seguida do desabamento de um edifício. Ataques de morteiros no oeste da capital mataram sete pessoas em dois diferentes bairros, segundo a polícia e funcionários de hospitais.
No bairro Hurriyah, três pessoas foram mortas quando uma granada foi lançada em direção a uma multidão. Na cidade de Mahmoudiya, a cerca de 30 quilômetros ao sul de Bagdá, uma bomba dentro de um centro de votação matou um policial, disse o coronel do Exército iraquiano Abdul Hussein. Também houve explosões em outros pontos do país, mas ainda não há relatos de vítimas.
Projéteis caíram em diferentes pontos de Bagdá, inclusive na chamada ‘zona verde”, área especialmente fortificada e onde se localizam várias embaixadas e sedes de ministérios. No entanto, não há informações de vítimas nessa área. Fora de Bagdá, na província de Diyala, dois homens armados morreram na explosão de uma bomba que tentavam colocar em uma estrada, na região de Jabara, situada a 115 quilômetros ao norte de Baquba, capital de Diyala.
Além disso, vários ataques em diversas cidades dos arredores de Baquba contra centros eleitorais deixaram pelo menos um ferido. Em Faluja, a 50 quilômetros a oeste da capital, dois artefatos explosivos deixaram quatro pessoas feridas.
O pleito - que conta com 50 mil urnas divididas em 9 mil colégios eleitorais - está sendo visto como um teste crucial para o processo de reconciliação nacional do Iraque diante do plano dos EUA para retirar suas tropas do país em etapas.
As eleições ocorrem com medidas de segurança especiais, que incluem a proibição do tráfego de veículos desde a noite de anteontem até a madrugada de hoje.
Cerca de 6 mil candidatos concorrem a 325 cadeiras no Parlamento, que se encarregará de escolher a nova coalizão governante e também o presidente e os dois vice-presidentes do país.
O Iraque possui cerca de 18,9 milhões de eleitores registrados. Entre as alianças políticas favoritas está a liderada pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki.