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Dr. Automóvel: Chip de conversão e gasolina aditivada

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Interessante como um assunto puxa outro. Conversando semana passada com meu amigo ex-delegado Dr. Irineu Carlos Fonseca sobre as matérias publicadas até agora nesta coluna e as perguntas feitas pelos leitores, ele veio com algumas dúvidas que eu gostaria de responder aqui, de forma que mais pessoas possam aproveitar as respostas.

Mais uma vez, surgiu a dúvida sobre os chips para conversão de motor a gasolina para flex. Oficinas oferecem um chip salvador e milagroso que “converte” qualquer motor originalmente a gasolina para flex, de modo que possa ser abastecido com etanol. Sejamos razoáveis... Se fosse tão simples assim, as fábricas não teriam gasto tanto dinheiro no desenvolvimento de seus motores, não é verdade? Povo que só pensa no dinheiro e na economia que poderia fazer acaba passando por trouxa, pois colocar um chip pensando que seu motor mudou de projeto é muita ingenuidade. Subestimar a capacidade técnica dos engenheiros das montadoras e achar que um produto do mercado paralelo pode substituir um original é outra burrice sem tamanho. Já expliquei centenas de vezes que o motor é um projeto complexo e que envolve muitos fatores. Os combustíveis gasolina e álcool têm características físico-químicas diferentes e requerem regulagens próprias para o funcionamento eficiente do motor. A começar pela taxa de compressão, que no etanol (por ter maior poder antidetonante que a gasolina) aceita uma taxa de mais de 12:1, enquanto que a gasolina trabalha melhor abaixo dos 10:1. Isto o chip não corrige, pois é uma medida física. Como a conversão se deu em um motor originalmente a gasolina, sua taxa de compressão será sempre mais baixa do que a ideal para funcionar com álcool, portanto o etanol não terá uma boa queima e gerará menos potência, poluirá mais e consumirá muito. Outro fator que o chip não corrige: a corrosão do álcool. Motor a gasolina não tem que se preocupar com corrosão, portanto os dutos, bicos injetores, bomba de combustível, sede de válvulas, tanque de combustível e outros componentes não têm proteção contra corrosão. Caso o esperto use apenas álcool, poderá ocorrer corrosão ao longo do tempo, danificando o equipamento e prejudicando a eficiência do motor.

Outra pergunta foi referente ao uso de gasolina aditivada x comum. Qual a vantagem? Pode usar meio a meio? Em primeiro lugar, gasolina aditivada não tem maior octanagem que a comum, isto já deixei muito claro aqui diversas vezes. É a mesma gasolina comum onde são acrescentados aditivos detergentes, que promovem uma constante limpeza do sistema de combustível. Isto faz com que se evitem entupimentos e desregulagens devido à sujeira. Portanto, aconselha-se a usar a gasolina aditivada sempre que puder, pois a diferença de preço na bomba é muito pequena. Imagine que a diferença de preço por litro entre a comum e a aditivada seja de R$ 0,04. Em um tanque de 50 litros, aumentaria a custo em apenas R$ 2,00 e garantiria um sistema sempre limpo e bem regulado. Não vale a pena? Agora, não vejo vantagem em colocar meio a meio pelo que expliquei acima. Ou põe ou não põe. Meio a meio só diluirá os detergentes da aditivada e reduzirá seu poder de limpeza, portanto perderão a eficiência. Como sempre, a gasolina foi desenvolvida por engenheiros para uma determinada aplicação e não se recomenda ficar batizando achando que vai melhorar alguma coisa.

Sua próxima pergunta foi referente à durabilidade dos pneus. Disse-me ele que os pneus de seu carro duram em média 60.000 km, o que acho perfeitamente normal hoje em dia com os pneus radiais. Ele calibra regularmente a cada 15 dias os pneus com a pressão recomendada pelo fabricante, portanto faz tudo certo, daí alcançar esta durabilidade. Pergunta se a marca do pneu influi também. Sim, e muito! Todas as marcas mais fortes e conhecidas do mercado apresentam durabilidade nesta faixa ou ainda maiores. Coloquei recentemente um novo jogo de pneus no meu carro e a garantia por escrito é de 70.000 km, desde que faça a manutenção correta (alinhamento, balanceamento, calibragem semanal) e passe por uma revisão a cada 7.000 km na loja. Agora, não espere que uma marca barata vendida em promoção em supermercado atinja esta mesma durabilidade. A composição de sua borracha assim como sua construção são diferentes, é sabidamente um pneu de vida mais curta e por isso mais adequado para quem roda pouco e só em cidade. Você paga menos mas ele dura menos. Nem pensar nos remoulds!

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

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