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Cidade mal cuidada: Vias públicas movimentadas também sofrem com abandono

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Não são apenas os bairros periféricos que sofrem com a falta de cuidados por parte do poder público e da população de Bauru. As vias de maior fluxo de veículos e pedestres - espaços de uso comum de grande parte dos moradores - também são duramente penalizadas pela falta de manutenção e conscientização de seus usuários.

Alguns viadutos da cidade são pontos clássicos desta condição, tendo como exemplar representativo do descaso do poder público, ao longo de mais de uma década, o viaduto inacabado sobre os trilhos da ferrovia, no Centro de Bauru. Embora a administração atual esteja empenhada em retomar as obras do complexo, paralisadas em 1997, há outros elevados de Bauru que também precisam ser melhor conservados.

É o caso, por exemplo, do calçamento do viaduto da Duque de Caxias sobre a rodovia Marechal Rondon, por onde trafegam centenas de pessoas diariamente. Em dois pontos do caminho destinado aos pedestres, no sentido Centro-bairro, dois grandes buracos se anunciam como um risco para a ocorrência de quedas, torções ou até mesmo fraturas em transeuntes que não estiverem atentos.

Já nos viadutos da avenida Rodrigues Alves sobre a Rondon e o da avenida Duque de Caxias sobre a avenida Nações Unidas, o grande problema é a quantidade de lixo. Nas grades de proteção ou nos cantos próximos a muretas, estão acumulados copos plásticos, jornais, panfletos, embalagens de alimentos, sacolas plásticas, papelão e folhas secas.

Confirmando, mais uma vez, a falta de educação das pessoas e a ineficiência da administração municipal em dar conta de todo o serviço, um terreno particular localizado na quadra 2 da rua Alziro Zarur, principal rua de acesso ao Núcleo Geisel, parece ter se tornado um forte candidato ao posto de lixão do bairro. “O pessoal joga tudo aqui: colchão, sofá, entulho de construção, galhos de árvores, alimentos e até animais mortos. Fora isso, o mato está com mais de um metro de altura”, comenta a presidente da associação de moradores, Olívia Arantes de Souza.

A condição de abandono da área é semelhante à detectada pela equipe do JC na rua Sérvio Túlio Carrijo Coube, próximo à avenida Octávio Pinheiro Brisolla, e na rua Chaim Mauad, única via de saída de um grande supermercado da cidade e um dos acessos ao Bauru Shopping. Assim como ocorrem nessas pistas, na rua Alziro Zarur não existe nem mesmo calçada, apenas uma trilha estreita por onde os pedestres têm de transitar para não serem atropelados por um dos muitos veículos que passam por aquela via.

“Queremos saber quem é o dono daquilo. A prefeitura limpa os terrenos dela, que ficam em volta, e não toma nenhuma providência”, reclama Olívia. Como tentativa de sensibilizar a população e reivindicar uma postura ativa do poder público, hoje de manhã voluntários realizariam uma panfletagem acompanhada de mutirão para recolher o máximo de resíduos possível em vários pontos do bairro.

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Imóveis

Outro problema crônico de Bauru, também amplamente divulgado pelo JC, ainda permanece sem solução definitiva na cidade: os imóveis abandonados. Na quadra 2 da avenida Octávio Mangabeira - utilizada frequentemente como interligação entre a avenida Rodrigues Alves e a avenida Cruzeiro do Sul para o acesso à rodovia Marechal Rondon -, uma casa foi tomada por moradores de rua que, há três meses, atormentam a vida da vizinhança.

Uma das vizinhas, que preferiu não se identificar, relata que a residência se transformou em ponto de tráfico, uso de drogas e prostituição, e acredita que uma casa próxima furtada recentemente tenha sido alvo da ação de um dos visitantes do imóvel abandonado. “Essa casa, antigamente, abrigava o 4º DP (Departamento de Polícia) e servia para prender bandido. Agora, ironicamente, virou refúgio de bandido. Se o lugar for do Estado, que ele tome uma providência”, reclama.

Já no que diz respeito ao asfalto, uma das principais avenidas de Bauru, a Rodrigues Alves, é alvo de problemas constantes e de soluções apenas paliativas. Mesmo depois de receber nova capa asfáltica e reparos em alguns trechos, o ônibus e veículos pesados que trafegam pela via acabaram deformando novamente a pavimentação.

E, nas calçadas construídas com pedras, outro problema: há pontos em que o passeio simplesmente se desintegrou e nada foi feito para recuperá-lo. Próximo dali, na quadra 2 da rua Primeiro de Agosto, em plena área central de Bauru e também região de grande fluxo de pedestres, um inacreditável buraco na calçada praticamente obriga os transeuntes a caminharem em fila indiana, de tão estreita a faixa de concreto que restou.

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