Washington - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ontem em um telefonema ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que o plano israelense de construir 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental é um sinal “negativo” para as relações entre Israel e EUA.
Hillary telefonou ao líder israelense e disse que o plano “é um sinal profundamente negativo de Israel nas relações bilaterais com os EUA, e (...) minou a confiança no processo de paz”, de acordo com informações do porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley.
Na conversa com Netanyahu, a secretária disse ainda que a medida “contraria o espírito da viagem do vice-presidente americano, Joe Biden, ao Oriente Médio”, informou ainda Crowley.
Durante a visita de Biden, o Ministério israelense do Interior anunciou a construção das novas casas em Jerusalém Oriental. O vice-presidente americano já havia condenado o projeto.
Ontem, Netanyahu expressou “pesar” pela decisão de anunciar o plano justamente durante a visita de Biden.
Israel cerca Cisjordânia
Palestinos e manifestantes esquerdistas entraram ontem em confronto com a polícia israelense em Jerusalém, em meio a protestos contra o anúncio, feito na terça-feira, de construção de 1.600 casas na parte oriental da cidade.
Israel havia proibido a passagem de palestinos da Cisjordânia para o país e para Jerusalém e aumentado a segurança ao redor da Esplanada das Mesquitas, de forma a prevenir choques como os de sexta-feira passada, que deixaram dezenas de feridos. A proibição vale até domingo.
Mas os confrontos ocorreram mesmo assim - ainda que em pequena escala -, quando os policiais prenderam oito pessoas que protestavam contra as construções em Jerusalém Oriental, o que irritou os demais manifestantes.
Segundo palestinos, 15 pessoas ficaram feridas em protesto nas aldeias de Bil’in, Na’alim e Dir Nizam, na Cisjordânia. Outros quatro detidos, acusados de atirar pedras contra policiais, disse o jornal “Haaretz’’.
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Viagem de Lula a Israel
Brasília - O governo brasileiro demonstrou “preocupação” ontem com os planos de Israel de ampliar os assentamentos judaicos na Cisjordânia ocupada, a três dias da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país.
“O governo brasileiro recebeu com profunda preocupação o anúncio israelense”, informou nota do Ministério das Relações Exteriores.
Na segunda-feira, Lula inicia viagem de quatro dias ao Oriente Médio e visitará Israel, os Territórios Palestinos e a Jordânia. Entre os temas a serem discutidos estão a paz na região e o polêmico programa nuclear iraniano.
“Os americanos, os franceses, os britânicos, os russos e os chineses, todos querem avançar no processo de paz no Oriente Médio. Mas eu sinto que as partes envolvidas no processo estão cansadas. Chegou a hora se se apresentar novas ideias, que envolvam tanto Israel quanto os territórios palestinos, o Irã, a Síria, a Jordânia e outros países”, disse Lula.