Os problemas não são poucos e as causas também são sortidas. O fato é que os frangalhos em que se encontram algumas das vias públicas, parques e praças da cidade, que ganha o infeliz rótulo de abandonada nos pontos que necessitam de reparos mais urgentes, são fruto de uma conjunção de erros acumulados.
Para a população, falta pulso por parte do Poder Público. Para representantes da administração, é necessário mais funcionários para atender a demanda de serviços, menos burocracia para colocar em prática planos de melhorias e manutenção, mas também é preciso conscientização entre a maioria das pessoas, para garantir a conservação do patrimônio. Já para estudiosos da área de administração, o que falta mesmo é um pouco de tudo.
Para tentar amenizar alguns problemas, o prefeito Rodrigo Agostinho afirma que, ainda neste ano, vai instalar sistema de videomonitoramento na área central e no Parque Vitória Régia.
Ao circular pela cidade, nota-se que a cidade realmente precisa de uma remodelação. Após o incômodo dos buracos nas ruas para se chegar aos parques ou praças em questão, sem contar a insistente presença da escuridão provinda das lâmpadas queimadas em postes de pontos centrais da cidade, como na avenida Nações Unidas, a conclusão que se tem ao visitar alguns dos recintos públicos de lazer é a de que Bauru merece uma cara melhor.
Principal cartão postal da cidade, o Parque Vitória Régia é vítima de constante depredação. Pichações em sanitários e na concha acústica mancham o verde que cerca o lago, volta e meia alvejado por sacos plásticos, que se confundem ao branco das garças que o margeiam.
Com mais de 50 anos, uma funcionária da limpeza pública, que pediu para ter sua identidade preservada, fala sobre a falta de consideração de alguns usuários. “Todo dia é a mesma coisa. O pessoal poderia ser mais educado, trazer uma sacolinha para jogar o lixo”, conta a varredora, que já se deparou com outros tipos de vestígios no local. “Camisinha é comum, mas já achei seringas também”, relata.
Não somente moradores se incomodam. Usuários de outras cidades, em visita a Bauru, também são intimidados com o mau aspecto dos parques públicos. “Vejo muita sujeira, lixo. Na minha cidade não temos um local igual a esse, mas infelizmente parece que o pessoal não cuida muito daqui”, lamenta o motorista Marcos Roberto Pinheiro, morador de Limeira, de passagem pelo Parque Vitória Régia enquanto aguardava cirurgia do filho mais novo no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais, o “Centrinho”, da Universidade de São Paulo (USP).
Entre a população local, além da sujeira, falhas estruturais são apontadas. “Quem faz caminhadas tem dificuldades com o asfalto irregular, danificado pelas raízes das árvores”, reclama a aposentada Lúcia Taga, frequentadora do Bosque da Comunidade, no Jardim Dona Sarah. “Cansamos de pedir para arrumarem não só aqui mas na praça próximo de minha casa, a praça Palestina”, reforça a professora aposentada Vera Lúcia Tozze Alves Neves.
“Pedimos para que a prefeitura fizesse a poda na praça. Foi na época do Carnaval. Alegaram que não tinha ninguém para fazer o serviço porque todo o estafe estava mobilizado no sambódromo. A equipe precisa ser maior”, clama Vera Lúcia. “Achávamos que com o Rodrigo seria maravilhoso, porque ele sempre se demonstrou preocupado com a questão ambiental.”
Piso irregular na pista de caminhadas e arame farpado enferrujado denotam a falta de estrutura do bosque, próximo aos Altos da Cidade. Com apenas dois funcionários, a área, segundo o próprio prefeito, não encabeça a lista de prioridades para reformas. “Os bosques com maior urgência são do Parque União e Bauru 16.”