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Morte de Glauco teria sido premeditada


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São Paulo - O assassinato do artista Glauco Vilas Boas foi premeditado, afirmam testemunhas do crime que já depuseram à policia. Parte delas foi ouvida pela reportagem ontem. Elas não podem ser identificadas, pois também ainda estão à disposição do inquérito que investiga o assassinato de Glauco e seu filho Raoni.

Segundo as testemunhas, o assassino é de fato Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24 anos, e ele sabia o que estava fazendo quando atirou no cartunista da Folha de S.Paulo e líder religioso da doutrina do Santo Daime, fundador da Igreja e Comunidade Céu de Maria.

A polícia já sabe que Nunes planejou o crime em todas as fases, e que ele provavelmente queria matar toda a família: Glauco, Bia, Raoni, Juliana (filha de Bia), e seu filho. Sundfeld Nunes obteve as armas, escondeu-as, foi de sua casa no Alto de Pinheiros (zona oeste) até o sítio perto do pico do Jaraguá (zona norte), e emboscou Juliana em casa, enteada do cartunista. Ele a capturou e, com a gritaria, atraiu Glauco e o resto da família para o local do crime.

Aqui os depoimentos ainda não se encaixam. Testemunhas se dividem e dizem que Nunes começou imediatamente a atirar em Glauco, ou que começou a gritar para todos entrarem no carro. No caso da segunda versão, o objetivo era levar a todos para o alto do pico do Jaraguá, matá-los e atirar os corpos da montanha.

Uma testemunha disse que Glauco convenceu Nunes a levá-lo sozinho e deixar lá as mulheres e o filho de Juliana. O criminoso, descontrolado, então mostrou a arma a Glauco, a abriu, tirou uma bala de dentro e a jogou no chão. Mandou Glauco pegá-la, “para ver como é de verdade”.

Quando Glauco abaixou, obedecendo, levou uma coronhada. Em seguida, levado ao portão, levou o primeiro de quatro tiros. Neste momento Raoni (outro possível alvo do assassino) chegou e viu o pai caindo e sangrando. Raoni conhecia Nunes havia muito tempo, eram inclusive considerados da mesma turma de amigos daimistas, Na semana retrasada, inclusive, tinham ido juntos a um McDonald’s na região de Alphaville.

As testemunhas dizem que Raoni não brigou com o assassino. Ao contrário, disseram que ele se ajoelhou e implorou ao amigo pela vida do pai. Então também foi baleado; e seu pai de novo, e ele novamente. E mais dois tiros.

Nunes frequentou a igreja do Santo Daime até o ano passado, mas não foi possível apurar em que ano passou a frequentá-la. Ele era fardado na própria Céu de Maria, de Glauco, e até frequentava seu escritório. Aparentemente, conheceu o Daime por amigos de escola. O rapaz estaria com problemas com drogas há anos. Passou a tomar Daime em nova tentativa de largar o vício.

As igrejas daimistas têm histórico de casos de suposta cura de usuários de drogas, inclusive o crack. Na igreja, o assassino nunca despertou suspeita. Era visto por alguns como “playboy”, mas que sempre foi “respeitoso” com os demais fardados.

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Família de Glauco deixa casa

São Paulo - O estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, o “Cadu”, principal suspeito pelas mortes do cartunista e do filho, teria ligado, na noite de sábado para a casa de Ana Beatriz, viúva do cartunista.

O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG), da Delegacia Seccional da cidade, ao deixar a delegacia e sair para uma diligência, não quis confirmar para a imprensa a veracidade do telefonema, mas admitiu que a ligação provavelmente tenha ocorrido. Dois investigadores do SIG que estavam na delegacia admitiram ter ocorrido o tal telefonema.

O policiamento em frente à casa do cartunista, no Jardim Santa Fé, zona norte de Osasco, foi reforçado, mas, segundo o delegado, o imóvel está vazio. Tanto a família das vítimas como a família do estudante estão sendo amparados pelos seus respectivos advogados. A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública afirmou que a Polícia Civil de Osasco não confirmou a ligação feita para a casa de Glauco.

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