Foi enterrado ontem à tarde, no Cemitério da Saudade, o juiz de direito aposentado Nilton Silveira. Ele tinha 84 anos de idade e faleceu em decorrência de complicações ocasionadas por um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sofrido três anos atrás.
Considerado um dos homens mais influentes de sua época, Silveira encontrava-se há seis anos afastado da vida pública devido a problemas de saúde. Isso não impediu que inúmeras personalidades do direito e da política locais marcassem presença no velório para prestar suas últimas homenagens ao juiz - caso, por exemplo, dos ex-vereadores Isaias Daibem e José Walter “Lelo” Rodrigues.
Embora abalados, os filhos do juiz fizeram questão de conversar com a reportagem a respeito do legado do pai. “Ele costumava participar de todas as atividades da cidade. Era uma pessoa muito atuante. Ultimamente, ele estava curtindo a família”, recorda-se o filho Nilton Silveira Júnior.
Em meio às lágrimas, Sônia Cristina Silveira Pereira tentou resumir as qualidades do pai. “Foi um grande homem. Não tinha defeitos”, afirmou. Sueli Raquel Silveira Duarte, outra filha, também se emocionou ao falar sobre Nilton Silveira. “Ele era uma pessoa extremamente afetuosa. Foi um ‘porto seguro’ para nós todos”, disse.
Nascido em Botucatu, Nilton Silveira passou grande parte da infância e da adolescência em Piratininga. Em meados dos anos 50, formou-se pela segunda turma do curso de direito da Instituição Toledo de Ensino (ITE).
Na década de 60, Silveira passou a atuar como magistrado, ocupando o cargo de titular da 3ª Vara da Justiça Estadual na comarca. Foi nessa época que ele conheceu o juiz Jaime Ferreira Menino, que atualmente está à frente da 2ª Vara Criminal de Bauru. “Era um profissional dedicado e criterioso. Enquanto pessoa, era tudo isso que mencionei e um pouco mais”, afirmou Menino.
O promotor aposentado Luiz Pegoraro atuou ao lado de Silveira na 3ª Vara da Justiça, nos anos 70. “Era uma pessoa agradável e trabalhadora. Com ele, serviço nunca ficava parado. Ele era muito eficaz e conseguia dar celeridade aos processos”, afirmou.
O promotor aposentado aproveitou para comentar sobre o desempenho de Silveira à frente da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Município, nos governos Édison Bastos Gasparini, Tuga Angerami e Tidei de Lima. “Nilton foi um excelente secretário, muito imparcial e que sabia solucionar os problemas com naturalidade”, disse Pegoraro, que se tornaria titular da pasta durante o mandato de Nilson Costa.
O presidente dos grupos Prata e Cidade, Alcides Franciscato, estava em São Paulo quando soube da notícia. Imediatamente pediu para enviar suas condolências à família e lamentou a morte daquele que considera um dos grandes juristas que Bauru teve a felicidade de ter, além de cidadão exemplar e homem muito envolvido com a comunidade. Franciscato lembra que Nilton Silveira foi um dos precursores do sucesso do projeto Casa do Pequeno Trabalhador, o Cips. Na época em que Franciscato era prefeito de Bauru, como juiz de menores (hoje o termo é da juiz da Infância e Adolescência) Silveira autorizou a contratação dos meninos do Reco Reco pela prefeitura. Enquanto trabalhavam, também recebiam a base educacional para se encaminharem à vida profissional na Casa do Pequeno Trabalhador, em cursos profissionalizantes. “Foi um homem de muita competência e sensibilidade social”, disse Franciscato.
O promotor aposentado Otacílio Garms também teve a oportunidade de trabalhar ao lado de Silveira, nos anos 70. “Nilton era um juiz dedicado, competente e tinha uma característica de atender às pessoas. Talvez por esse motivo, suas sentenças eram sempre muito justas”, disse. Garms também falou a respeito gestões de Silveira à frente do Bauru Tênis Clube (BTC) - instituição que ele próprio presidiu, recentemente. “Com sua visão futurista, ele participou da compra da sede de campo da entidade, que mais tarde se tornaria a realidade do clube, sobretudo agora que a sede do Centro foi vendida”, comentou.
“Se não fossem Nilton e os demais ex-presidentes, o clube não teria o patrimônio que hoje possui”, acrescentou. Além do BTC, Silveira também foi presidente do Noroeste, além de haver atuado em inúmeras instituições filantrópicas, dentre as quais merece destaque a Rede Feminina de Combate ao Câncer, presidida durante nove anos por sua esposa, Dalva Silveira.
“Perdi o grande amor de minha vida. Durante os 60 anos em que permanecemos casados, sempre estivemos um ao lado do outro”, disse Dalva. De acordo com ela, nos últimos anos, a saúde de Silveira encontrava-se bastante comprometida.
Além de participar ativamente da vida pública de Bauru, Silveira trabalhou durante alguns anos na Capital como juiz da antiga Vara de Menores da Capital (a única do gênero existente em São Paulo na época, precursora das atuais varas de infância e juventude).
“Nilton levou o nome de Bauru para o Estado todo”, afirmou o publicitário Mairton Farias. No final da década de 70, Silveira foi agraciado pela Câmara Municipal com o título de cidadão bauruense. Talvez nem fosse necessário. Segundo os amigos, embora não fosse nascido aqui, o juiz carregava a cidade no coração, onde quer que estivesse.