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Outono deve ser mais quente que o normal

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 2 min

Amanhã, exatamente às 14h32, terá início, oficialmente, o equinócio vernal, também conhecido, por essas bandas, pelo singelo nome de outono. Estação das frutas, para as crianças em idade de alfabetização, estação dos lucros, para a indústria fashion e os fabricantes de descongestionantes nasais, esta época do ano costuma ser marcada por uma sensível queda nas temperaturas médias.

Desta vez, porém, o mercúrio dos termômetros não se moverá para baixo na mesma intensidade que gostariam os amantes do frio. O pesquisador Fernando de Almeida Tavares, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, afirma que, no outono de 2010, as temperaturas médias deverão ficar ligeiramente acima do normal.

No outono passado, IPMet registrou em Bauru 25,1º C, em março; 22,9º C, em abril; e 21º C, em maio. No deste ano, as médias deverão ficar acima do normal, principalmente por conta do bom e velho “El Niño”, que nada mais é do que a elevação na temperatura da superfície do Pacífico Sul. Esse fenômeno é responsável, entre outras coisas, por causar as secas no Nordeste e trazer calor ao Sudeste (onde Bauru está localizada).

No outono atual, outro oceano deve ajudar a elevar as temperaturas no Interior de São Paulo: o Atlântico, cujas águas também têm estado mais quentes, nos últimos meses. Enquanto as temperaturas sobem, o volume de chuvas tende a ficar dentro dos padrões esperados. Em março passado, o total acumulado foi de 136 milímetros; em abril, o índice ficou em 96 milímetros; em maio, finalmente, o volume ficou em 91 milímetros.

De olho na mudança da estação, o comércio tem apostado nas liquidações para tentar desovar os últimos “sobreviventes” da coleção “Primavera-Verão”. A intenção dos lojistas é deixar espaço exclusivo nas vitrines para as tendências do “Outono-Inverno”.

“Normalmente, toda mudança de estação costuma trazer mais movimento ao comércio, pois a moda muda, e as pessoas tendem a querer renovar seus guarda-roupas”, avalia o publicitário Mairton Farias. Ele acredita que a procura pelas coleções “Outono-Inverno” se intensifique a partir do próximo mês.

Se, por um lado, deixa as pessoas mais elegantes, a nova estação é responsável por “nocautear” um punhado de gente, principalmente aqueles que apresentam tendência a desenvolver doenças respiratórias.

O diretor substituto do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde, João da Fonseca Júnior, afirma que, neste período, o movimento nos prontos-socorros ocasionado por doenças respiratórias aumenta em torno de 30%.

“A fumaça e a poeira ajudam a agravar ainda mais a situação dos pacientes que sofrem desses problemas”, alerta. Fonseca recomenda à população que procure auxílio nas unidades básicas de saúde, tão logo surjam os primeiros sintomas de desconforto respiratório.

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