Bairros

Alerta para a dengue hemorrágica

Por Ieda Rodrigues com Redação | Colaborou Alexandre Padilha
| Tempo de leitura: 6 min

Com a confirmação de mais sete casos de dengue ontem, Bauru soma agora 83 infectados com a doença neste ano e entra em estado de alerta para a moléstia nas formas clássica, com complicações e também hemorrágica, a mais grave e que pode levar à morte. Em Marília, a cerca de 100 quilômetros de Bauru, uma mulher que estava com a doença morreu anteontem - é aguardado o resultado da necropsia para confirmar se a causa da morte foi dengue.

Em nota distribuída ontem pela assessoria de imprensa da prefeitura, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) orienta a população que aos primeiros sinais suspeitos da dengue, todos devem procurar a unidade básica de saúde mais próxima, mesmo aquelas que já tenham sido acometidas pela doença, pois pode ocorrer reincidência. É exatamente quem já teve a doença em anos anteriores que mais preocupa porque essas pessoas, se forem picadas com mosquito com sorotipo diferente de dengue, podem desenvolver a forma hemorrágica da doença, explica Flávio Tadeu Salvador, diretor da Vigilância Sanitária.

“O sinal de alerta é porque estamos tendo reinfecção em locais que já tiveram ondas grandes de dengue em 2007, como é o caso da região da Bela Vista, Vila Universitária, Parque Bauru, Núcleo José Regino. E também porque ainda não sabemos o tipo do vírus que está circulando na cidade”, frisa. “Quanto mais onda de dengue se tem no município, mais perto de ter caso hemorrágico se fica. E Bauru tem transmissão ativa de dengue há 12 anos”, analisa Salvador, ressaltando que neste período em apenas dois anos - 2004 e 2009 - o número da doença foi baixo.

Porém, ele frisa que há outros fatores, além do tipo do vírus da dengue, que definem se a doença evolui para a forma clássica, que evolui para a cura em poucos dias, para forma com complicações ou hemorrágica, que pode levar à morte. Um importante fator é a reação do organismo ao vírus. Mas também contam se a pessoa tem doença de base, baixa coagulação de sangue e a virulência do vírus.

Por conta do avanço da dengue, além da busca ativa de casos e criadouros do Aedes aegypti e nebulização com inseticida em regiões de maior incidência da doença, que já vinham sendo realizadas, a Secretaria Municipal de Saúde anunciou mutirões em bairros com alta infestação do mosquito e orientação a catadores de recicláveis, pois eles trabalham com materiais que podem acumular água - o Aedes se procria em água parada e limpa.

De acordo com Fernando Monti, a Secretaria Municipal de Saúde busca, com essas ações, enfrentar de forma ativa o avanço da doença no município, entretanto, a colaboração da população é decisiva para o resultado de todo o trabalho realizado.

Bauru tem mantido uma média diária de 70 pessoas aguardando resultados de exames. Ontem foram divulgados 17 resultado, dois quais 10 deram negativos e sete positivos. Dos positivos, sete são autóctones, ou seja contraídos na própria cidade, e um importado. Com esses casos, a cidade totaliza até o momento, 83 casos, sendo 29 importados e 54 autóctones.

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Autônoma conta o que passou com a doença

A autônoma Maria de Lourdes Silva, moradora do Núcleo Beija-Flor, é uma das 83 pessoas de Bauru que tiveram dengue neste ano. Ela conta que lembra que foi picada por um mosquito no início de março. Quando começou a sentir fortes dores no corpo e manchas vermelhas na pele, apesar de não ter febre, decidiu fazer o exame, que constatou a doença.

Com 54 anos, Lourdes trabalha em casa na produção de chocolates e conta que no terceiro dia dos sintomas, quase não conseguia nem andar devido às fortes dores. Além disso, manchas vermelhas apareceram por todo o corpo. Preocupada, foi até o Posto de Saúde do bairro para fazer o exame da dengue.

Lourdes passou pela médica do centro de saúde e o exame de sangue foi enviado para análise. O primeiro teste deu negativo para dengue, tranquilizando-a. Depois de seis dias, ela voltou a se sentir mal e passou pela médica novamente. O exame foi realizado mais uma vez e, no outro dia, Lourdes recebeu por telefone a notícia que estava com dengue.

Seguindo orientação médica, permaneceu em repouso, sem uso de medicamentos e ingeriu bastante líquido, como água, sucos naturais e água de coco. Lourdes permaneceu sem febre, vômitos ou diarréia, mas afirmou que sentia muito mal estar, calafrios e dor no corpo.

Ontem ela definiu seu estado de saúde como “melhor”, mas ainda relata fortes dores de cabeça, falta de apetite, muita sede, mal estar e dores abdominais. Ela conta que nos 13 dias da doença perdeu seis quilos.

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Combate à proliferação da dengue agora inclui arrastão de limpeza

Com o objetivo de mapear a epidemia de dengue em Bauru e desenvolver um trabalho de prevenção, a Vigilância Sanitária do município já desencadeou diversas ações de intensificação para o controle da dengue. Entre elas a nebulização e a visita domiciliar nas regiões onde os casos confirmados estão localizados, além de manter o serviço de rotina em todas as demais regiões da cidade.

De acordo com Flávio Tadeu Salvador, diretor da Vigilância Sanitária, em Bauru, os casos estão distribuídos por regiões de 30 bairros e os mais atingidos são das regiões da Bela Vista, Parque Santa Edwirges, Jardim Redentor, Jardim Carolina e Vila Universitária. Assim sendo, o Departamento de Saúde Coletiva, através do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em parceria com a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) da Secretaria de Saúde do Estado, cumprem uma programação de nebulização.

Desde o início da última semana, o trabalho tem sido executado na região do Jardim Bela Vista. Posteriormente, as equipes deverão cobrir toda a região do Jardim Ivone, Santa Edwirges e Vila Universitária. Em paralelo, outras equipes de agentes de endemias continuarão a visitar os imóveis para localização e destruição de possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti em todas as áreas da cidade.

Entretanto, como divulgado anteriormente, desde o mês de fevereiro a Secretaria Municipal de Saúde adotou a medida que consiste em que, caso ocorra a resistência à vistoria por parte dos responsáveis pelos imóveis, nos bairros onde foram registrados os casos da doença, os mesmos ficam sujeitos a multa de valores entre R$ 250,00 e R$ 2.500,00. Até o momento não houve nenhum registro de autuação por este motivo.

Dando continuidade ao conjunto de ações de intensificação, estão previstas ainda atividades de orientações sobre acondicionamento para os catadores de material reciclável do Jardim Ivone, bem como um “arrastão de limpeza” no bairro, em datas a serem definidas, na Unidade do Programa Saúde da Família-Vila São Paulo. E futuramente outros bairros deverão receber atividades dessa natureza.

Enquanto isso, o diretor da Vigilância Sanitária orienta a todos que mantenham o hábito de evitar vasos de plantas com pratos de plásticos, manter ralos internos e externos tampados, manter as piscinas limpas, tampadas ou desmontadas se não estiverem em uso, quando possível, descartar todo material inservível com potencial para criadouro de larvas do mosquito Aedes aegypti (garrafas, latas, embalagens vazias, pneus e outros), manter a limpeza das calhas.

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