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FOB e USC têm fila para dentadura

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 4 min

A população de baixa renda em Bauru, que sofre com o problema da ausência de dentes, tem apenas as universidades da cidade para recorrer. A cada semestre, cerca de 100 pessoas, que precisam de próteses ou trocar as que já têm, são atendidas, gratuitamente, nas clínicas acadêmicas da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB/USP) e da Universidade do Sagrado Coração (USC). Na cidade, a prefeitura não oferece o serviço, nem o Estado.

Apesar da grande procura de atendimento nesses locais - a USC prevê implantar 47 próteses totais (dentaduras) e implantou outras 136 no ano passado -, apenas 25 pessoas aguardam na fila de espera, de acordo com números fornecidos pelas faculdades. No Brasil, segundo pesquisa do Ministério da Saúde, 6 milhões de brasileiros esperam por uma dentadura.

“Fechamos o ano passado com 85 pacientes na espera. Esse ano já fizemos a triagem e demos início ao tratamento de 60 pessoas”, afirma Vinícius Carvalho Porto, professor da FOB. De acordo com ele, em julho, nova chamada de pacientes será realizada para tentar eliminar a fila e atender a nova demanda.

O atendimento feito pelas universidades é uma forma de prestar serviço à comunidade enquanto proporciona aos estudantes uma vivência prática da profissão. Tendo que arcar apenas com o custo laboratorial, o paciente paga, em média, R$ 180,00 por um par de dentadura simples, segundo Porto.

A dona de casa bauruense Elisabete Aparecida Teodoro, 44 anos, irá aproveitar as condições vantajosas oferecidas pela FOB para colocar uma prótese dentária no maxilar superior. Ela deverá pagar R$ 90,00 pelo serviço, divididos em quatro parcelas. “Em clínicas particulares, chegaram a pedir R$ 500,00 por uma única dentadura. É muito dinheiro”, afirma.

Sua irmã, a também dona de casa Vilma Aparecida Teodoro, 46 anos, é outra que será favorecia pela iniciativa. “Faz 20 anos que estou estou com a mesma prótese e ela estava quebrada há uns sete meses”, diz.

A prótese do eletricista João Elias Peixoto, 49 anos, também estava quebrada desde o ano passado. “Ultimamente, eu vinha tendo dificuldades para falar e comer”, conta. Mas ele precisou esperar alguns meses na fila, antes de ser atendido.

A espera é o principal incômodo enfrentado pelas pessoas que dependem de dentaduras feitas nas universidades. Na FOB, um par de próteses totais leva cerca de quatro meses para ficar pronto; na USC, tratamentos mais complicados podem durar até um ano. “Temos todo o controle dos alunos. A parte de biossegurança é impecável, mas as pessoas muitas vezes não entendem que o tratamento tem de ocorrer de acordo com o ensino dos estudantes”, comenta Cláudia Sgavioli, coordenadora do curso de odontologia da USC e responsável técnica pelas clínicas acadêmicas da área na universidade.

Isso é o que também lembra Porto. “Um aluno, por ainda estar em processo de aprendizagem, leva mais tempo, por exemplo, para fazer uma prótese. Além disso, existe todo um processo que envolve avaliações e até cirurgias pré-protéticas antes que a prótese possa ser implantada de fato”, explica.

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Demanda por implante, que ainda é caro, cresce

A odontologia tem dois tipos de tratamento para solucionar o problema da falta de todos os dentes: a dentadura (prótese fixa ou removível) e o implante. Por se integrar no osso bucal e exigir menos cuidados, o implante dentário é o mais recomendado pelos dentistas e tem ganhado grande procura, embora o tratamento ainda seja caro.

“Se a pessoa tem condições de arcar, é o que recomendamos porque ele oferece uma segurança maior ao paciente. E mesmo sendo mais caro, o custo é muito menor comparado ao tratamento particular”, afirma o professor Vinícius Carvalho Porto, da FOB. De acordo com ele, o custo de um único implante é de R$ 120,00, em média.

“O implante veio para ficar por conta do resultado final. A avaliação básica para ele ser possível é a pessoa ter condições ósseas. Por aderir ao osso, o paciente se sente mais seguro e não tem problemas de retenção da prótese, principalmente a inferior”, comenta.

Independente do tratamento escolhido, Cláudia Sgavioli, professor da USC, destaca a importância da procura por tratamento. “A reabilitação protética é a reabilitação de um órgão perdido. E isso não apenas influi na questão da auto-estima, como interfere na colocação no mercado de trabalho, nas relações na sociedade”.

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