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Beneficiência passa a captar órgãos

Da Redação
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No próximo dia 1 o Hospital Beneficência Portuguesa de Bauru vai inaugurar a sua Central de Captação de Órgãos. Os profissionais do hospital já estavam treinados para captar e transplantar córneas e rins, mas ainda faltava o credenciamento, que foi publicado recentemente no Diário Oficial do Estado. Agora o hospital possui comissão específica para retirar e transplantar os órgãos na própria unidade hospitalar, respeitando a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a portaria 1.752/2005, do Ministério da Saúde, todos os hospitais, sejam eles públicos ou particulares, que possuam mais de 80 leitos ou UTIs, deverão ter a sua Central de Captação de Órgãos. Além disso, em 1997, o Ministério da Saúde constituiu uma lei que define que os transplantes sejam feitos de acordo com a ordem de chegada na lista de espera.

A Beneficência Portuguesa está autorizada e treinada para fazer a retirada de rins e córneas de pacientes que tiveram diagnóstico confirmado de morte encefálica. Segundo o médico coordenador da Organização de Procura de Órgãos (OPO) de Botucatu, Guilherme Coelho, os profissionais credenciados estão aptos também para lidar com os familiares desses pacientes. “A cada dez pacientes com morte encefálica, conseguimos a doação de órgãos de sete, com autorização da família”, explica o médico oftalmologista Raul de Paula, que integra a comissão de retirada e transplante de órgãos da Beneficência.

O hospital possui três equipes médicas que trabalham na retirada dos rins e outras quatro no Hospital de Olhos, que funciona anexo ao Hospital Beneficência Portuguesa, e que são especializadas na captação e transplante de córneas. O órgão pode ficar conservado por até 14 dias à espera de um receptor. “Eu acho muito importante a doação de órgãos. Hoje nós temos poucas pessoas na fila de espera para transplante de córnea em Bauru”, enfatiza o oftalmologista.

Além das córneas, também podem ser doadas as escleras - a parte branca do globo ocular, que servem de suporte para próteses oculares em pacientes que perderam o olho por inteiro.

Têm prioridade na fila, pacientes que tenham apenas um olho ou visão só de um olho, crianças menores de 7 anos e pessoas submetidas a transplante malsucedido como, por exemplo, que tiveram infecção após a cirurgia. O Hospital Beneficência Portuguesa pode captar outros órgãos, mas, para isso, precisa da presença de uma equipe da OPO. Os especialistas vão até o hospital, retiram os órgãos e os enviam para a central, que fica em Ribeirão Preto. Respeitando a ordem de espera na fila, a central da OPO vai destiná-los aos receptores.

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Outros hospitais

O Hospital de Base e o Hospital Estadual de Bauru também estão credenciados junto à Organização e Procura de Órgãos (OPO) e aptos para retirar e transplantar rins e córneas. A assessoria de imprensa do Hospital Estadual informa que, de 2004 a 2010, a unidade de saúde já captou mais de 350 córneas, das quais 162 foram transplantadas por sua equipe. O Hospital da Unimed também é credenciado e está sendo recapacitado pela Organização de Procura de Órgãos para captar rins e córneas, mas até hoje não efetuou nenhum transplante.

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