São Paulo - Diversas pessoas realizam ontem um protesto em frente ao Fórum de Santana, onde ocorre o júri do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados da morte da menina Isabella, 5 anos, filha de Alexandre.
Um dos grupos que protestava é o Encontro Unificado de Vítimas de Impunidade (Euvi), fundado pelos pais de Emily de Araújo, 13 anos, morta a tiros durante um assalto em São Vicente (litoral de SP), em maio de 2007. Com vizinhos e amigos, que acompanham o caso Isabella há quase dois anos, eles fazem um abaixo-assinado para pedir mudanças no Código Penal.
De acordo com Wilson Caetano de Araújo, 51 anos, pai de Emily e fundador do grupo, o abaixo-assinado pede “o fim do tempo máximo de reclusão, que hoje é de 30 anos”. Ele diz que o grupo também quer a emancipação de menores de 18 anos que cometeram crimes hediondos, para que sejam julgados como adultos. A mobilização do Euvi foi feita por meio de sites de relacionamento.
Além do grupo, outras pessoas também foram até o Fórum de Santana para manifestar. É o caso de André Luiz dos Santos, 49 anos, que saiu de Ponte Nova (MG) para protestar. Por volta das 12h, ele estava amarrado a uma cruz de madeira de aproximadamente 1,8 metro de altura, com cartazes pendurados e fotos de Isabella. “Estou aqui desde as 8h30. Já estou com dor nos braços e nas costas, mas tenho orgulho de estar aqui”. Ele afirma que anteontem realizou protesto e ficou 12 horas em frente ao Fórum.
Com uma camiseta com foto e nome de Isabella, Maria Lúcia Guimarães, 60 anos, afirmou estar ao lado da família da mãe da menina e, por isso, passaria o dia em frente ao Fórum.
Famílias que também perderam seus filhos em atos violentos estiveram na porta do Fórum para tentar assistir ao julgamento do caso Isabella. Os pais do garoto Ives Ota, sequestrado e depois assassinado em 1997, aos 8 anos, tentavam ontem senha para entrar na plateia.
No início da noite, a mãe de Pedro Couto Rodrigues conseguiu uma cadeira. O garoto foi morto aos 2 anos, em novembro no ano passado, ao cair do 18.º andar de um prédio - a polícia investiga a hipótese de o pai do menino, que caiu logo depois, ter jogado o filho e se jogado em seguida.