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Avatar: utopia desejável

Caroline Guimarães Martins Valderramas
| Tempo de leitura: 2 min

Com certeza “Avatar” arrebatou bilheterias e os corações de seus espectadores, cabendo aqui ressaltar: de todas as idades. Foi um sucesso mesmo recebendo algumas críticas como a de ser um filme claramente hollywoodiano ou previsível. O que se pode dizer sobre esse fenômeno talvez seja que, além de seus extraordinários efeitos especiais, a sua identificação com a história das interferências humanas e seus aspectos indesejáveis para com aquele ecossistema; identificação pertinente a nossa realidade. Não apenas indignações perante a postura da sociedade em relação ao meio ambiente como a falta de valores e ética.

Assistindo ao filme, quem não gostaria de ter um Avatar ou ser um Navi? Tudo que lhe é ensinado desde seu nascimento, durante seu desenvolvimento bio-psico-social até seu falecimento, é algo lógico, ético, civilizado e coerente. O que se aprende sobre valores, quanto a ser e agir na sociedade de Pandora realmente acontece; e a convivência e respeito com a flora e a fauna então? Teria utopia mais desejável?

Quando crianças, nossa sociedade nos define, nos “ensina”, nos mostra valores e nos cobra uma civilidade que a mesma não nos permite conviver ou ter totalmente.

Onde está nossa árvore de passagem dos valores e memórias, aquela possuidora da real história? Em nosso mundo, isso é feito muitas vezes, por personagens de nossa sociedade, que não mediam os conhecimentos, mas sim, os distorcem para determinar uma futura realidade. Para quem não sabe, civilizado, como diria Norbert Elias, é o indivíduo que a partir do verdadeiro controle de suas emoções, e assim, a partir do micro, estabelece o macro; uma sociedade (macro) é composta por indivíduos (micro) que por intermédio de suas ações e concepções constrói e mantém essa mesma sociedade em funcionamento.

Concepções que na maioria dos casos e fatos, infelizmente, não são uma realidade de ensinamentos valorativo e ético para o macro, mas sim individualista ou oportunista para um micro. Claro que ainda acredita-se na existência de indivíduos possuidores de seus Avatares ou culturalmente de seu Navi, e ainda se procura mais destes por aí; por vezes, talvez, procura-se até dentro de nós mesmos.

A autora, Caroline Guimarães Martins Valderramas, é professora do Colégio Fênix/Anglo - Uniesp e professora substituta da Unesp de Bauru

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