Paris - Dois dias após a derrota nas eleições regionais francesas, o governo do presidente Nicolas Sarkozy enfrentou ontem greve que atingiu principalmente os transportes e a educação.
Cerca de 800 mil pessoas participaram de protestos em toda a França, segundo as centrais sindicais. Em Paris, passeata reuniu 30 mil pessoas, segundo cálculo da polícia, para protestar contra a política social do governo. A grande faixa que abriu a passeata dava o tom das reivindicações: “Juntos, vamos agir pelo emprego, pelos salários, pelas condições de trabalho e pelas aposentadorias’’.
A greve coincidiu com a posse do novo ministro do Trabalho, Eric Woerth, que assumiu a pasta ontem com a missão de iniciar as negociações para mudar o regime da aposentadoria no começo de abril. O governo pretende aumentar o tempo de contribuição e a idade mínima para a aposentadoria, que hoje é de 60 anos.
A greve atingiu sobretudo os serviços públicos. Entre os professores das escolas. No setor de transportes, 35% dos trens de alta velocidade não circularam.
Bernard Thibault, secretário-geral da central sindical CGT, afirmou que a greve não foi um “terceiro turno (das eleições regionais)”, mas um movimento contra a “radicalização do governo”.
Com o nível de aprovação popular em baixa, Sarkozy procura aumentar o apoio dentro do seu próprio partido. A primeira medida foi a reforma do gabinete na segunda. Anteontem, desistiu de projeto que causava mal-estar na base governista : a taxa-carbono, tributo aplicado a lares e indústrias para lutar contra o aquecimento global.