São Paulo - O julgamento de Anna Carolina Jatobá, 26 anos, e Alexandre Nardoni, 31 anos, poderá ter hoje uma acareação entre o casal e Ana Carolina de Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, 5 anos, morta em 2008 ao ser agredida e jogada pela janela.
O pedido foi feito pela defesa no final da tarde de ontem, depois de o advogado Roberto Podval anunciar que dispensaria o restantes das testemunhas do caso. O juiz imediatamente negou o pedido, afirmando que acareações entre réus e testemunhas não podiam ser feitas, mas depois voltou atrás.
Antes de o juiz reconsiderar a decisão, houve uma discussão entre Podval e o promotor Francisco Cembranelli.
O promotor disse que Ana Carolina de Oliveira, que desde segunda-feira permanece à disposição do julgamento, a pedido da defesa, está deprimida e não tem se alimentado bem.
O advogado, então, disse que quis dispensar as testemunhas justamente para poupá-la. Em seguida, por uma hora e meia, o juiz ficou no computador para anotar a decisão nos autos. Saiu da sala e, ao voltar, afirmou que tinha voltado atrás porque sua interpretação inicial foi equivocada e poderia ferir o “princípio de ampla defesa”. Hoje, o advogado deverá pedir novamente a acareação, que deve acontecer depois do depoimento dos dois réus.
Provas
O primeiro depoimento de ontem foi o da perita Rosângela Monteiro, que chefiou os trabalhos técnicos na investigação da morte de Isabella. A defesa do casal Nardoni fez diversos questionamentos sobre possíveis falhas na perícia. Monteiro disse que a conclusão de que foi Alexandre quem jogou a menina pela janela não foi tomada por exclusão, mas por provas.
A principal delas, disse, é a camiseta usada por ele, que tinha marcas da tela de proteção da janela que só poderiam ser feitas se estivesse carregando um peso de pelo menos 25 quilos. “Se a camiseta era de Alexandre, foi ele quem defenestrou”, disse ao responder as perguntas da defesa.
Porém, os advogados de defesa insistiram que vão derrubar essas provas no momento dos debates entre as partes, o que deve ocorrer hoje ou amanhã. “Faz diferença, sim (sobre a forma com que a perícia simulou Alexandre atirando Isabella pela janela), e isso vai constar depois (na hora dos debates)’’.
Advogado criminal que acompanha o julgamento por meio de amigos que estão no plenário, Antônio Gonçalves conclui: “Esse é um debate sui generis no País. Normalmente, é emoção contra emoção. Aqui, foi emoção contra tecnologia.”
Criminalistas ouvidos pela reportagem dizem que existe possibilidade de absolvição.
Ontem, a segunda e última testemunha a ser ouvida foi o jornalista da “Folha de S.Paulo” Rogério Pagnan. Reportagem do jornal assinada por ele, em 10 de abril de 2008, trazia entrevista do pedreiro Gabriel Santos Neto, que afirmava que a obra em que trabalhava, nos fundos do edifício de onde Isabella caiu, havia sido arrombada na noite do crime. Santos Neto, também convocado como testemunha, foi dispensado.