Internacional

EUA e Rússia fecham acordo de armas

Folhapress
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Washington - Os governos de EUA e Rússia anunciaram ontem que foi acertado um novo tratado de redução de armas nucleares para substituir o Start-1 (Tratado de Redução de Armas Estratégicas), que venceu em dezembro. O novo tratado reduz em 74% os limites do anterior, mas ainda permite até 1.550 ogivas estratégicas a cada país - o suficiente para destruir o mundo várias vezes.

Os detalhes do plano foram finalizados em um telefonema entre os governos russo e americano ontem pela manhã, e o acordo deverá ser assinado no próximo dia 8, em Praga. “Desde que assumi, estive empenhado em recomeçar nossa relação com a Rússia. Armas nucleares representam os piores dias da Guerra Fria e as mais inquietantes ameaças da nossa era”, afirmou Obama.

“O novo tratado marca um nível mais alto de cooperação entre Rússia e os EUA no desenvolvimento de uma nova relação estratégica”, disse o Kremlin em comunicado.

O prazo do novo tratado é de dez anos, prorrogáveis por mais cinco, e ele depende de ratificação em ambos os Parlamentos. O momento da assinatura foi escolhido para anteceder a cúpula nuclear mundial que Obama, que já declarou a intenção de “livrar o mundo das armas nucleares”, fará em Washington em abril e da revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que ocorrerá em Nova York em maio.

O limite de 1.550 ogivas estratégicas (de longo alcance, decisivas em uma guerra) inclui as destacadas em mísseis balísticos intercontinentais (ICBM) e mísseis balísticos submarinos (SLBM). Cada bombardeiro destacado com capacidade de levar armamento nuclear também conta como uma ogiva. Ainda serão permitidos um total de 800 lançadores de mísseis balísticos intercontinentais, lançadores de mísseis submarinos e bombardeiros equipados para armamento nuclear destacados e não destacados. É menos da metade do previsto no Start-1 para os veículos que carregam as ogivas.

Pelo Start-1, assinado em 1991, os arsenais estratégicos podiam chegar a 1.600 mísseis e 6.000 ogivas nucleares. O novo texto substituirá também o Sort (tratado de redução ofensiva estratégica, na sigla em inglês). Assinado em maio de 2002, o Sort limita cada lado a não mais de 1.700 a 2.200 ogivas nucleares estratégicas até 2012, mas não contém regras para contagem e verificação.

Foram as dificuldades em definir novas regras (a Rússia já considerava o Start-1 muito intrusivo) que levaram, em grande medida, ao atraso na conclusão das negociações atuais. Ao final, os países concordaram em incrementar métodos de verificação mútua, incluindo checagem em campo e troca de dados de medições remotas.

Escudo

Não estão previstas no novo acordo quaisquer restrições relativas a escudos antimísseis ou mísseis convencionais (não nucleares) de longo alcance, que fazem parte dos planos dos EUA. “Essas reduções não vão afetar a força de nosso (arsenal estratégico) nem limitar planos de proteger os EUA e nossos aliados por meio do desenvolvimento de sistemas de defesa de mísseis”, disse o secretário da Defesa dos EUA, Robert Gates.

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Oposição a Obama pode barrar pacto

Washington - A atual relação explosiva entre a Casa Branca e o Senado dos EUA pode dificultar a ratificação do novo tratado nuclear com a Rússia.

Enquanto democratas afirmam que pressionarão pela ratificação ainda em 2010, republicanos prometeram que, depois de impor a reforma do sistema de saúde, o governo não contaria com “nenhuma colaboração” até o fim deste ano. Além disso, opositores disseram que não avaliarão o novo Start até que o governo estipule um plano de modernização do arsenal nuclear atual.

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