Imperatriz - Poucas horas antes de Mayara Coelho Francelino, 8 anos, ser transferida a uma UTI somente após ordem do governo estadual, a recém-nascida de Gleiciene Gino da Silva - que nem nome teve chance de ter - morreu e se tornou a 16.ª vítima do ano que, mesmo com decisão judicial, não conseguiu vaga em unidade de terapia intensiva.
A filha de Silva tinha liminar da Justiça expedida às 20h de anteontem. Morreu uma hora depois numa sala de enfermagem a poucos metros de Mayara. Nascida de forma prematura às 13h, veio às pressas para Imperatriz (MA) no colo da avó, Maria da Conceição.
Imperatriz - cidade com 250 mil habitantes, que é referência para 40 municípios - tem 44 leitos públicos de UTI e 17 particulares. O ideal seriam 120, segundo o Ministério da Saúde.
Mayara conseguiu ser transferida depois de o caso ter sido noticiado pela imprensa ontem. Ela teve meningite e estava havia 16 dias no hospital municipal. Quando entrou em coma, foi para uma salinha privativa de 10 m2 para ficar em isolamento.
Ontem, outras três crianças ainda aguardavam a liberação de leitos de UTI em Imperatriz. Todas tinham ordem judicial para serem transferidas -não havia previsão, no entanto, de quando elas seriam atendidas.