Internacional

Farc libertam primeiro refém prometido


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Bogotá - Em uma operação humanitária conduzida por dois helicópteros militares brasileiros, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) libertaram ontem o primeiro dos dois reféns cujas solturas haviam sido anunciadas um ano atrás.

O soldado Josué Daniel Calvo, 22 anos, capturado pela narcoguerrilha em confronto com o Exército no ano passado, desembarcou na cidade de Villavicencio (130 km ao sul de Bogotá) no início da tarde de domingo, onde era aguardado por familiares.

Aparentando fragilidade, porém em melhores condições do que davam conta os relatos prévios à operação, Calvo dispensou uma cadeira de rodas e dirigiu-se ao hangar do aeroporto apoiando-se numa bengala improvisada. O soldado não deu declarações, mas acenou aos jornalistas indicando gratidão. “A felicidade retornou à nossa casa”, disse o pai de Calvo.

Para amanhã está prevista a entrega do também militar Pablo Emilio Moncayo, 32 anos, o mais antigo prisioneiro das Farc junto com José Martinez. Eles foram capturados pela guerrilha em 21 de dezembro de 1997.

Acompanharam a operação nos helicópteros militares brasileiros, realizada em local não revelado do Departamento de Meta (região central), a senadora oposicionista Piedad Córdoba, que liderou a negociação com as Farc, e os delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) e da igreja.

Sobrevoos

Após chegada de Calvo, Córdoba, que já liderara missões do tipo e mantém uma conturbada relação com o governo Álvaro Uribe, denunciou supostos sobrevoos não identificados nas cercanias do local da entrega do refém, de acordo com relatos dos guerrilheiros à senadora.

“A comunidade (local) disse ter se sentido muito ameaçada, o Exército estava a dois quilômetros do ponto da entrega”, afirmou. “Essas coisas serão discutidas com o Alto Comissariado de Paz (da Colômbia) para evitar que haja alguma notícia que possa paralisar a operação”, completou.

Segundo Córdoba, as Farc informaram ainda que a entrega dos restos mortais do policial Julián Guevara, morto em cativeiro em 2006, prometida pelo grupo, não poderá ser realizada por dificuldades de locomoção devido a operações do Exército.

A última leva de entregas unilaterais de presos, em fevereiro do ano passado -também realizada com o apoio logístico brasileiro -, esteve ameaçada por voos militares. Mas a operação foi mantida, e seis reféns foram soltos, incluindo o ex-governador de Meta, Alan Jara.

O alto comissário para a Paz colombiano, Frank Pearl, no entanto, disse que os voos relatados eram comerciais e reforçou o compromisso assumido pelo Exército durante a semana de interromper todas as atividades militares na região para viabilizar a missão. “O governo pode garantir que houve todo o compromisso, e foi uma operação impecável”, afirmou.

A libertação de Calvo, com meses de atraso em relação ao inicialmente anunciado, dá sequência aos acenos das Farc no sentido de tentar uma troca negociada com o governo dos cerca de 500 guerrilheiros presos atualmente pelos agora 22 militares e policiais em cativeiro.

A possibilidade é, no entanto, rejeitada pelo presidente Álvaro Uribe, que deve boa parte de sua alta popularidade -na casa dos 80%- à política de acosso à narcoguerrilha que a debilitou seriamente nos últimos anos.

Jovem

O soldado Josué Daniel Calvo, sequestrado em 20 de abril de 2009, era o refém mais jovem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e também o que estava havia menos tempo em cativeiro.

Ele caiu nas mãos da guerrilha colombiana na vila de El Encanto, no Departamento de Meta.

O sequestro só ficou conhecido depois que as Farc anunciaram que o militar havia sido abandonado ferido por tropas colombianas após um confronto.

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