Tribuna do Leitor

Nesse mato tem coelho


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Ausente no tempo, como afirma a imprensa local, ressurge o Grupo Pró-Bauru, presidido pelo eficiente Domingos Malandrino. Realmente, um movimento dessa natureza deveria estar em atividade não só em época de eleições, mas sim concatenado com as coisas da província de forma absoluta na resolução dos inúmeros problemas que uma cidade desse porte requer cotidianamente. Até, e esse é o caso mais concreto de hoje, acompanhar as idas e vindas e os altos e baixos proporcionados pelos nossos homens públicos, os mesmos que se imaginam travestidos de comandantes dos destinos do provinciano esclarecido.

Não é de hoje que se levantam a bandeira do “voto é nosso”. Desfraldada ao acaso, e às vésperas de eleições majoritárias, ao término das eleições retornam ao ocaso. O gás finda, segue para a UTI e só é regenerada quando se avista no horizonte novos eventos políticos ou as nuvens ameaçadoras de tempestades nos céus provincianos, que poderão trazer alterações de rotas anteriormente planejadas.

É consenso que o provinciano precisa dos mais diversos serviços públicos em suas províncias. Nisso inexiste dúvida alguma.

Daí a desconfiança de que nesse mato tem coelho... A opção do eleitor bauruense tem sido, há décadas, de “o voto é meu”. O argumento de que “é fazer que o eleitor entenda que, ao optar por candidato de Bauru e comprometido com os interesses da coletividade, quem vai ganhar com isso é ele próprio” é o mais surrado que se ouve como justificativa a não votar em paraquedistas que infestam a província nessa época. Basta ler na imprensa local a declaração de um infestador, onde afirma que o eleitor não vê onde o infestante mora e “o que acaba decidindo mesmo é a história de cada um”.

Não custa lembrar que 70% dos eleitores, a nível Brasil, não se lembram em quem votaram depois de quatro anos e dos 30% restantes, mais da metade alega ter votado em quem nem sequer foi candidato (Mauro Chaves-OESP 27/3 P2).

Malandrino tem capacidade e condições de levara a bom termo a proposta de conscientização dos eleitores da província, porém não será às vésperas de uma eleição que já vem sendo posta há tempos que surtirá o efeito desejado. De súbito como se depara no momento,apenas acionará mais ainda o dissenso.

Tanto que a imprensa informa da preocupação de alguns políticos da província que entraram em contado com Malandrino, já que vão se coligar com candidatos de outras localidades. Só para exemplificar, com quem a vice-prefeita da província se coligará? E o vereador Roque Ferreira, Pedro Tobias, e o ex-vereador Primo Mangialardo se coligarão com quem?

O dissenso já está instalado.

Por outro lado, seria essa a “estratégia” do comandante decenal, objetivando tão somente fazer a mudança da pedra do tabuleiro, para que o “status quo” permaneça inalterado por mais outro tanto de anos?

Se houvesse sinceridade no propósito de defesa das coisas da província, ao invés de conversa mole, deveriam instalar um coordenador do dissenso e aí sim seria levado adiante o propósito do provinciano votar nos candidatos da terrinha, como ocorreu no passado.

Mangabeira Unger ensina que o básico para a política, a começar pelas disputas internas dentro dos partidos, sem a “coordenação do dissenso” quem vence a disputa interna é o outro partido, ou seja, o adversário. Coordenar o dissenso é tarefa fundamental. O resto é fazer o jogo daqueles que estão vendo a vaca ir para o brejo.

Josias de Souza reverbera: “Quem tem informação tem medo; quem tem muita informação tranca-se em casa; quem tem ainda mais informação enfia-se num buraco”. Fui.

Nicanor Amaro Silva Neto

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