Com a calma e simpatia que os seus 82 anos lhe deram, Severino Filho - único sobrevivente da formação original de Os Cariocas - dedicou a segunda-feira a atividades rotineiras como a ida ao banco, já que havia perdido o voo que o traria, ontem, a Bauru. Assim, foi de sua casa no bairro do Recreio, no Rio de Janeiro, que o músico falou ao JC Cultura sobre a apresentação do grupo, hoje à noite, no Alameda Quality Center. Um dos mais antigos conjuntos vocais do Brasil, Os Cariocas dão sequencia à série de shows “Era de Ouro”, que na última semana contou com a presença de Danilo Caymmi.
“Estava uma loucura, levei quase duas horas no trânsito e minha mulher também não estava passando muito bem e precisava de certa atenção. Ou seja, não deu para chegar. Mas a empresária já está cuidando de tudo e amanhã (hoje) estarei aí”, justifica. Ao lado de Hernane Castro, Neil Teixeira e Eloi Vicente, o músico apresentará o novíssimo “Nossa Alma Canta”, segundo lançamento dessa que é a oitava formação de Os Cariocas (o primeiro foi “Bossa Carioca”, de 2004).
No novo álbum, os músicos recriam vários clássicos da bossa nova como “Rapaz de Bem”, de Johnny Alf. “Não sei como, depois de 62 anos de grupo, nunca tínhamos gravado uma música dele. Agora, a gravação fica como uma homenagem a ele”, comenta Severino. Precursor do movimento, Alf morreu no último dia 4, aos 80 anos. Na apresentação dessa noite, o público poderá apreciar ainda “Rio que Corre” (João Donato), “Clube da Esquina 2” (Milton Nascimento/Lô e Marcio Borges), “Futuros Amantes (Chico Buarque), “Jet Samba” (Marcos Valle) e a vinheta “Intro Jet Samba”, do próprio Severino.
“Não vamos tocar só as músicas que estão no disco. Vamos também mesclar com as canções que fizeram sucesso com Os Cariocas como ‘Samba do Avião’, ‘Minha Namorada’, ‘Ela é Carioca’, ‘Garota de Ipanema’”, enumera. “Para quem gosta de bossa nova, música arrojada e samba, tenho certeza que vai ter uma noite muito agradável”, convida.
A próxima atração da série “Era de Ouro” é Menescal & Wanda Sá, no dia 6 de abril.
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Os Cariocas
Os Cariocas cantavam em festinhas da vizinhança no bairro da Tijuca, quando participaram do programa de calouros “Papel Carbono”, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, vindo a obter o segundo lugar. Em 1946, um teste na rádio incluiu o conjunto em um programa musical chamado “Um milhão de melodias”.
O grupo sobressaiu-se pela mistura de polifonia e efeitos rítmicos, que era diferente da dos conjuntos de sucesso na época.
Sua primeira gravação foi um disco de 78 rpm, com as músicas “Adeus América” (Haroldo Barbosa/Geraldo Jaques) e “Nova Ilusão” (José Menezes/Luís Bittencourt). Na gravadora Continental, foram levados a gravar “Born too late”, “Chá-chá-chá baiano” e “Always and forever”, canções que não pertenciam ao estilo do conjunto. Num dos lados desse 78 rpm, colocaram a música “Chega de Saudade” (Tom Jobim/Vinícius de Moraes) e foi com esta melodia que Os Cariocas fizeram sua entrada definitiva na bossa nova.
O grupo ficou separado por mais de 20 anos. Romperam na sequencia do lançamento do LP “Passaporte” (1966) e retornaram para gravar o CD “Minha Namorada” (1990). Desde então, lançaram seis álbuns.
• Serviço
Show com Os Cariocas hoje, às 21h, no Beef Street do Alameda (rua Luiz Levorato, 1-55, altura do km 335 da Rondon, Bauru). Ainda há lugares disponíveis. Mais informações: (14) 3321-5000.