Pesca & Lazer

O porto da manga


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Já passava das dez da manhã quando chegamos em Piraputanga, um belo lugarejo encravado no sopé da serra de Maracajú, nas margens do rio Aquidauana.

Eu já conhecia o lugar de outras incursões pirangueiras, pois sou um contumaz amassador de brejo da região de Aquidauana, o Cláudio Dangió também, pois, além de pescador inveterado, era nosso anfitrião.

Dangió, ao abrir a porta de seu confortável rancho para nos receber por vários dias, parecia também nos colocar à disposição a beleza estonteante do lugar, onde o enorme rio, que ao serpentear entre os morros vai ditando o curso da velha linha de trem, que nós, velhos bauruenses, teimamos em chamar de noroeste.

Ao marcar a viagem, Dangió nos avisou para que levássemos só a bagagem pessoal, pois o rancho dispunha de boa estrutura para receber os visitantes e assim o fizemos.

Com as despesas devidamente rateadas, colocamos a caminhonete na estrada e um dos amigos de vezes em quando cantarolava um canção (Piraputanga que eu adoro tanto/cheia de flores/cheia de encanto) e eu já o interrompia dizendo que era plágio de Piracicaba, mas volta e meia ele voltava a cantar e assim foi todo o transcorrer da viagem.

Ao chegarmos no rancho, cada um procurou se acomodar em um dos quartos. Passados uns 15 minutos e nós já estávamos prontos para começar a pensar em pescaria. Foi quando demos por falta do dono rancho e passamos a andar pelo vasto quintal a procurá-lo entre as muitas árvores frutíferas.

Ao perceber que estávamos procurando por ele, gritou para nos chamar a atenção. “Hei, companheirada, estou aqui em cima!”. E ao olharmos para uma frondosa mangueira lá estava nosso anfitrião com a barba toda amarelada chupando uma deliciosa manga bourbon.

Lázaro Carneiro é pescador e contador de histórias.

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