Hoje será lançado o livro “Uma carona para a vida - O trajeto de Alberto Fernández”, que conta a história de Alberto Neri Fernandéz da Costa Porto, um médico uruguaio que vivia em Bauru e foi morto em 2002 após dar carona a dois homens vestidos com a farda do Exército. Ele ficou desaparecido por 14 dias, tempo de angústia relatado com flashbacks de nostalgia pelo amigo, o argentino Gustavo Clariá. O evento está marcado para as 20h e será realizado no Teatro Veritas, na Universidade do Sagrado Coração (USC).
Na época, o caso de Alberto teve grande repercussão em Bauru. No dia 19 de outubro de 2002, o médico uruguaio de 39 anos, que vivia há dois anos em Bauru, participou de um seminário na USC e saiu em direção a Votuporanga, onde participaria de um encontro do Movimento dos Focolares. Entretanto, ele nunca chegou a seu destino, movimentando uma investigação que durou 14 dias até seu corpo ser encontrado e o crime esclarecido.
No livro “Uma carona para a vida”, o escritor Clariá narra os momentos de angústia durante as buscas realizadas pela Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra) e relembra momentos importantes da vida de Alberto, utilizando flashbacks para construir a história deste médico uruguaio que veio morar em Bauru e foi brutalmente assassinado por um cabo e um soldado do 37º Batalhão de Infantaria do Exército de Lins.
O crime
Depois de ter participado de um seminário sobre ética na USC, Alberto Fernández pegou a rodovia Marechal Rondon para comparecer a um encontro do Movimento Focolares em Votuporanga. Ele não apareceu ao encontro. Durante as investigações foi constatado que o veículo Palio do médico não chegou a passar pelo segundo pedágio da rodovia, que possui câmeras de filmagem. Antes disso, ele foi abordado por dois homens fardados que pediam carona, cabo Antonio Marcos Calixto dos Santos e soldado Flávio Roberto da Silva, do Exército de Lins.
O carro do médico foi localizado abandonado e sem nenhum tipo de dano na manhã do dia 24 de outubro de 2002, na cidade de Penápolis. Já o corpo, após 14 dias de busca, foi encontrado no dia 2 de novembro, em um canavial de Promissão. O cadáver estava em adiantado estado de putrefação e, de acordo com as investigações realizadas na época, Alberto foi morto no dia de seu desaparecimento com seis facadas, sendo que a primeira delas foi no pulso para provocar hemorragia e os outros golpes foram aplicados no pescoço e cabeça.
Os acusados de matar o médico uruguaio premeditaram o crime com a intenção de roubar, tendo levado R$ 30,00 após as facadas. O que levou à elucidação do crime foi um segundo latrocínio cometido pelos mesmos integrantes do Batalhão de Infantaria do Exército de Lins. No outro caso, o soldado e o cabo pegaram carona com o cirurgião-dentista jauense Sílvio Luiz Minarelli, 34 anos, e desferiram o mesmo número de facadas em locais similares às que provocaram a morte de Alberto Fernández.
A dupla foi descoberta porque o soldado Flávio Roberto da Silva efetuou um saque com o cartão magnético do dentista de Jaú na agência do Banco do Brasil de Lins e foi filmado pela microcâmera. Através do filme, ele foi identificado e seu comparsa, cabo Antônio Marcos Calixto dos Santos, também foi investigado e ambos foram presos pela polícia.
Sílvio Luiz teria saído de Jaú rumo a cidade de São José do Rio Preto, antes porém passou em Lins, onde esteve com amigos. Como o cirurgião-dentista não chegou em seu destino e o contato com ele não foi mais possível, os amigos de Lins registraram seu desaparecimento. Um dia após o desaparecimento do jauense, o soldado Flávio foi flagrado pela câmera da agência bancária e os crimes de latrocínio foram solucionados.