Bishkek - A autoproclamada líder interina do Quirguistão, Roza Otunbayeva, agradeceu a Rússia ontem por seu “apoio significativo”. O premiê russo, Vladimir Putin, foi o primeiro líder mundial a reconhecer Otunbayeva como chefe do governo do Quirguistão. Os novos dirigentes também manifestaram a intenção de fechar uma base aérea dos EUA no país, que dá apoio às forças no Afeganistão.
Os EUA não quiseram se posicionar sobre a legitimidade do novo governo quirguiz.
A líder oposicionista e ex-chanceler Roza Otunbayeva assumiu o poder no Quirguistão após violentos protestos que deixaram ao menos 75 mortos, segundo balanço do Ministério da Saúde quirguiz. Ela disse que planeja liderar um governo interino de seis meses para elaborar uma nova Constituição para o país da Ásia central.
Um alto oficial americano afirmou que a tentativa de tomada do poder pela oposição no Quirguistão não é um golpe apoiado pela Rússia contra os Estados Unidos. Já o presidente quirguiz, Kurmanbek Bakiyev, disse à reportegem não querer acreditar que a Rússia esteja por trás dos protestos para tirá-lo do poder.
EUA criticam
A Casa Branca criticou ontem o uso da força no Quirguistão, pediu calma na capital do país e disse esperar ansiosamente pela retomada do “caminho democrático”.
Segundo o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, o presidente Barack Obama tem acompanhado de perto os acontecimentos no Quirguistão, e continua a monitorar a situação com sua equipe de segurança nacional.
Michael McFault, alto consultor da Casa Branca sobre Rússia, disse ontem que não estava claro quem controlava o Quirguistão, mas que as pessoas que alegam ter tomado o poder não eram antiamericanos.
“Esse não é um golpe anti-EUA. Isso sabemos com certeza. E não é um golpe apoiado pela Rússia.”
Base aérea de Manas
Um alto oficial russo disse que o presidente quirguiz não cumpriu uma promessa de fechar a base americana no Quirguistão, e que Moscou iria alertar o novo governo que só deve haver uma base militar na ex-república soviética: a da Rússia.
Michael McFault, alto consultor da Casa Branca sobre Rússia, disse que os presidentes da Rússia e EUA não discutiram ontem o possível fechamento da base aérea americana de Manas, no Quirguistão.
A base americana é considerada um importante ponto de trânsito de tropas e suprimentos das da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) de e para o Afeganistão. Há cerca de 1.100 tropas em Manas, incluindo contingentes da Espanha e da França, que também apoiam as operações no Afeganistão.