São Paulo - O Corpo de Bombeiros confirmou, em balanço divulgado na noite de ontem, que subiu para 219 o número de mortos no Rio em consequência das chuvas que atingem o Estado desde o começo da semana. Niterói é o município com o maior número de vítimas - 132. As chuvas também causaram mortes na cidade do Rio (67), em São Gonçalo (16), em Nilópolis (1), em Petrópolis (1), em Magé (1) e na região de Pacarambi (1). Segundo os bombeiros, são 161 pessoas feridas no Estado. O número de desaparecidos permanece incerto.
Do total de mortos em Niterói, 27 corpos foram resgatados no morro do Bumba. Ontem, em visita ao local da tragédia, o governador Sérgio Cabral (PMDB) afirmou que o número de mortos no morro pode chegar a 150. “É um número estarrecedor. Uma previsão dramática, muito dura, possivelmente mais de 100 corpos. Entre 100 e 150, pelos cálculos do Corpo de Bombeiros e pelas informações levantadas”, disse.
O secretário municipal de Segurança e Defesa Civil, Marival Gomes, estimou em pelo menos 600 o número de famílias que tiveram as casas condenadas e precisarão ser realocadas. “Diminuíram os riscos, mas ainda temos áreas que nos preocupam muito. Choveu a madrugada toda e durante esta manhã, o que torna os trabalhos mais lentos. Temos que ter cuidados com a vida dos bombeiros e do pessoal da Defesa Civil, que não podem correr riscos”.
A chuva forte no Rio trouxe também ondas de mais de 3 metros de altura desde quinta-feira. Ontem, a ressaca chegou ao auge, provocando a interdição de ruas e o fechamento do Aeroporto Santos Dumont. O mar atraiu surfistas, que se aventuraram nas fortes ondas.
Ajuda das Forças Armadas
As Forças Armadas auxiliarão no socorro às vítimas das chuvas no Rio com homens e dois hospitais de campanha, que serão montados em São Gonçalo para atender os feridos. Militares do Exército e da Marinha também auxiliarão no resgate dos corpos soterrados em morros.
Desde a madrugada de ontem, dez corpos foram resgatados no Morro do Bumba, em Niterói, elevando para 27 o número de vítimas do deslizamento na noite de quarta-feira. O Corpo de Bombeiros estima que 150 pessoas ainda estejam soterradas pela avalanche de lama, que encobriu as casas da favela construída em cima de um lixão. A probabilidade de encontrar alguém vivo é considerada quase nula pelos profissionais de resgate.
O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, pediu o reforço em telefonema na noite de anteontem ao presidente Lula. “As informações não são nada animadoras. Trata-se de um número muito grande de óbitos. Teremos muito trabalho para as próximas semanas, por causa do alto volume de lixo e destroços, além do número de corpos. A previsão para o tempo de resgate permanece estimada em, no mínimo, duas semanas, trabalhando dia e noite.”
De R$ 110 milhões liberados pelo governo federal, R$ 35 milhões serão destinados para as cidades de Niterói e São Gonçalo, municípios mais afetados pelas chuvas. A verba faz parte de um pacote de R$ 200 milhões - R$ 90 milhões vão para a Capital.
A cidade de Niterói vive um momento de colapso. O Hospital Azevedo Lima, o único em que o Setor de Emergência funciona, não tem mais leitos disponíveis. No Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense, as portas do pronto-socorro estão fechadas há três anos. O Instituto Médico Legal de Niterói também está fechado há dois anos. Os corpos das vítimas estão sendo encaminhados para o IML de São Gonçalo e do Rio.
As dificuldades das equipes de resgate são grandes pela extensão de mais de 600 metros de deslizamento e pelo volume de lama e lixo que estão sendo removidos para o Aterro Sanitário de São Gonçalo. Ontem, três dos oito cães da Companhia Independente da PM passaram mal, por causa do forte cheiro de gás metano. Dois cães de moradores foram encontrados vivos nos escombros.
Moradores do Morro do Céu, próximo do Morro do Bumba e também construído sobre um antigo lixão, denunciaram que várias casas estão afundando e uma igreja desabou à tarde. Ninguém ficou ferido.