Uma imagem obtida na última quinta-feira por um empresário bauruense, que trabalha com fotografias aéreas, incitou a curiosidade dele e de quem viu a foto. Um ponto de luz branca em aparente movimento que apareceu em uma das fotos feitas sobre o cemitério de Guaiçara (a 111 quilômetros de Bauru) iniciou o mistério. O seu formato, sua aparente velocidade e o fato de não aparecer nas imagens anteriores e posteriores, levantou suspeitas.
Um objeto voador não identificado? Uma aparição fantasmagórica? Ou apenas um defeito transitório no equipamento ou ainda um fenômeno físico? Ainda não é possível afirmar o que é aquela imagem branca captado pela máquina da equipe de Antônio Augusto Cruz, o Guto, às 13h30 da última quinta-feira. Utilizando um equipamento para fotos aéreas, ele e o fotógrafo faziam imagens da cidade, que fica na região de Lins, a uma altura de 50 metros.
Quando foi descarregar as imagens digitais em seu computador, notou o “objeto” branco em um dos arquivos. “Perguntei ao fotógrafo se a lente estava suja, mas ele negou. Além disso, as fotos seguintes e anteriores estavam perfeitas”, destaca. Cruz ressalta que atua há cinco anos no ramo e possui um acervo de mais de 30 mil imagens. “E nunca vi algo nada parecido”, ressalta.
O empresário, que acredita na existência de vida fora da Terra, afirmou que sempre teve vontade de se deparar com algo inusitado nas fotografias que faz. “O intrigante é que a foto foi feita em cima de um cemitério”, pontua. Ele também não tem pistas do que aconteceu e informou à reportagem que a fotografia não foi feita contra o sol. Cruz também acredita que seu equipamento não tenha afetado o resultado da imagem. “Se foi algum defeito, deveria ter aparecido nas outras fotos”, avalia.
A imagem foi enviada para um ufólogo, que em rápido contato telefônico com o Jornal da Cidade afirmou que, baseado em sua experiência, se tratava de um ovni. Jorge Luiz Nery, diretor de pesquisa científica de campo do Instituto de Astronomia e Pesquisas (Inape), de Araçatuba, afirmou estar impressionado com as imagens e disse que estava trabalhando em um amplo relatório sobre o caso. Assim que tiver acesso ao documento, o JC voltará ao assunto.
Mistério
Com a imagem aberta no computador, a ampliação do ponto de luz mostra uma figura hexagonal (de seis lados), aparentemente com vários polígonos semelhantes concêntricos. A simetria da imagem também é visível. Outro fato que chama a atenção é a espécie de rastro que o ponto deixa. Isso leva a crer que o “objeto” se moveu rapidamente.
Procurado pela reportagem, o padre Rodrigo Sena, da paróquia de São José, de Gália e de São Sebastião, em Avaí, explica que a doutrina católica não possui textos relacionados a aparições de pontos de luz. “Quando a Igreja Católica recebe algum caso como esse, deixa para a ciência explicar”, pontua.
Após analisar as imagens, o diretor do Centro Espírita Amor e Caridade Carlos Luiz Noronha descartou uma série de possibilidades. O fenômeno do fogo-fátuo, a inflamação espontânea de gás metano resultante da decomposição de corpos - por ser um cemitério - foi uma delas. “Mas o ponto aparece muitos metros acima do cemitério, não deve ser isso”, pondera, após receber a imagem.
A hipótese de ser uma pipa foi descartada, já que o brinquedo não apareceu nas imagens anteriores ou seguintes. O reflexo do sol também foi excluído por Noronha, já que a imagem foi feita fora da luminosidade. “Também não poderia ser fogos de artifício, porque as imagens mostram um lugar desabitado, sem ninguém por perto. Além disso, o ponto é muito homogêneo e geométrico”, diz.
E na doutrina espírita, Noronha avalia que não há nada semelhante. Por ser um cemitério, ele pesquisou a respeito da manifestação de ectoplasma. “Porém, ele não possui essa mobilidade, esse formato geométrico e não surge em altura tão elevado e precisa da presença de algum médium para ser manifestado”, destaca.
Noronha também avaliou a possibilidade de se tratar de um raio-globular, uma descarga elétrica em formato circular, que ainda não foi completamente desvendado pela ciência. “Ainda assim, é muito simétrico para ser isso”, diz. Ele também não descarta um defeito momentâneo e transitório do equipamento. “No final, pode ser algo bem simples”, pondera.