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Atletas de fim de semana: cuidado!

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Você é daqueles que esperam o sábado ou o domingo para correr no parque, para fazer uma hora de esteira, jogar futebol ou vôlei com os amigos? Então comece a se preocupar. De acordo com os profissionais da área da saúde, essa é uma atitude errada e perigosa, que pode provocar desde uma simples lesão até um infarto fulminante.

Com a alegação de que falta tempo para fazer exercícios durante a semana, muitos deixam para praticá-los somente aos sábados e domingos. Se for uma caminhada, com alongamentos e outras atividades leves para ficar com aquela sensação de bem-estar, nada contra. Mas quando o esporte escolhido é aquele de alta intensidade, que exige muito esforço do organismo, a coisa muda de figura.

Além de não melhorar em nada o condicionamento físico, esse esforço pode representar um risco à saúde do praticante. Uma pessoa sedentária, que expõe o organismo a um esforço que não está acostumado, aumenta a força de contração do coração num período muito curto. Isso provoca, entre outras consequências, aumento da pressão arterial pelo fato do músculo cardíaco estar fraco em razão da ausência de exercícios regulares.

Por esse motivo, cautela e uma boa avaliação médica anual são fundamentais, principalmente se os atletas de fim de semana fazem parte do grupo que apresenta outros fatores de risco, como hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol alto e histórico de infartos na família.

Toda pessoa que vai fazer qualquer tipo de atividade física precisa passar por uma avaliação cardiológica antes”, adverte o cardiologista Plínio de Almeida Barros. Segundo ele, existem algumas doenças que nascem com a pessoa ou são adquiridas ao longo da vida e não apresentam sintomas.

O esforço exagerado do organismo pode ser um gatilho para desencadear problemas mais graves em decorrência dessas doenças. De acordo com Barros, uma avaliação cardiológica é capaz de detectar a presença desses problemas e evitar o mal maior.

Por isso, a importância de se fazer os exames. “O hipertenso não só pode como deve fazer atividades físicas, mas antes tem de passar por uma avaliação médica, para saber qual o ritmo dessas atividades e até onde ele pode ir”, orienta.

Regularidade

Para Thiago Guedim, formado em educação física e personal trainer, para evitar dissabores, o ideal é praticar atividades físicas pelo menos três vezes por semana. Segundo ele, o esporte praticado somente no sábado ou no domingo pode ser um lazer perigoso.

Ele conta que a maior parte das lesões sofrida pelos atletas afeta aqueles que têm o costume de se exercitar apenas aos fins de semana. “É um esforço excessivo. O corpo não está preparado para isso”, afirma.

Segundo Thiago, o joelho normalmente é a parte mais prejudicada pelo excesso. Foi o que aconteceu com o representante comercial Lenis Fernando de Carvalho. Mesmo não sendo um atleta de fim de semana, ele teve de operar o joelho após uma sequência de pequenas lesões.

Há duas semanas, em uma partida preparatória para o Campeonato Amador de Bauru, ele “estourou” o tendão patelar do joelho esquerdo e terá de ficar oito meses de “molho”. Lenis é jogador do time do Redentor. E ele nem está entre os que praticam atividade física de vez em quando. Além do futebol de campo no domingo, ele joga futebol society às terças e quintas-feiras.

Na medida certa, a atividade física reduz o risco de morte por doenças cardíacas, hipertensão e diabetes e ajuda no controle de peso, além de promover o bem-estar de quem a pratica.

Segundo o cardiologista Plínio Barros, a prática esporádica de esportes pode ser tão prejudicial à saúde quanto a vida sedentária. Por isso, o alerta para os atletas de fim de semana: fazer exercícios físicos extenuantes apenas de vez em quando é muito arriscado.

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