Smolensk - O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, 60 anos, morreu ontem depois que o avião em que viajava, acompanhado de uma comitiva de representantes do país, caiu sobre uma floresta, no extremo oeste da Rússia.
Entre os 96 passageiros da aeronave também estavam parlamentares, o presidente do Banco Central, chefes militares do país e funcionários do governo. Ninguém sobreviveu.
“Ainda não conseguimos dar conta do tamanho desta tragédia e o que ela significa para o nosso futuro; nada parecido com isso havia acontecido antes com a Polônia”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país.
A comitiva participaria de uma cerimônia em memória dos milhares de funcionários poloneses assassinados pelas forças soviéticas na cidade de Katyn, logo após a invasão do país, que marcou o início da Segunda Guerra Mundial.
Um dos aviões da frota oficial polonesa, o Tupolev, de fabricação soviética, se aproximava do pouso na cidade russa de Smolensk, próxima à fronteira, quando caiu, em meio a um espesso nevoeiro.
As causas do acidente ainda não haviam sido esclarecidas na tarde de ontem. Funcionários russos afirmaram que o aeroporto de Smolensk estava fechado na hora do acidente, por causa do nevoeiro.
O piloto do avião teria sido alertado sobre as dificuldades, e controladores sugeriram que o voo fosse desviado para Moscou. Ainda assim a aeronave fez três tentativas de pouso abortadas. Na quarta aproximação, o avião caiu, a pouco menos de 1 km do aeroporto Smolensk.
A aeronave polonesa tinha pouco mais de 20 anos de uso. Políticos poloneses reclamaram ontem da envelhecida frota de aviões oficiais do país.
A morte de Kaczynski obrigou o governo polonês a antecipar a eleição presidencial, antes marcada para outubro. O presidente-interino terá duas semanas para chamar o novo pleito, a ser realizado até 60 dias depois da convocação.
Lech Kaczynski havia sido integrante do partido de centro-direita Lei e Justiça e assumiu a Presidência do país em 2005.
A legenda também conquistou, à época, a chefia de governo, tendo à frente o irmão gêmeo do presidente, Jaroslaw Kaczynski.
Ambos aproximaram o país da Otan, criando tensões com Moscou. A Polônia assinou um “pré-acordo” com os EUA, em 2008, para receber em seu território, até 2012, dez interceptadores de mísseis como parte do escudo de defesa que Washington pretendia instalar no Leste Europeu.