Tribuna do Leitor

Diálogo com João Guilherme Ortolan


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Em carta publicada na edição de 11/4, este senhor faz um esforço monumental numa longa digressão e demonstra com clareza todo seu fundamentalismo, que leva a intolerância para tratar com as diferenças de opinião. Do alto de sua arrogância e preconceitos, se recusa a reconhecer os investimentos realizados no Estado de São Paulo pelo Governo Federal, no trecho sul do Rodoanel.

O Rodoanel foi uma parceria do governo federal com o governo do Estado. Qual a dificuldade em reconhecer que 1/3 dos investimos mais de R$ 1,2 bilhão no trecho Sul foram realizados pelo Governo Federal? Qual a dificuldade de reconhecer os recursos alocados nos trechos 1, 2 e 3 do Corredor Expresso Tiradentes, em gasodutos, saneamento, habitação, refinarias e rodovias que ligam São Paulo a Minas e ao Mato Grosso?

Qualquer pessoa honesta (independentemente de suas convicções políticas e ideológicas), quando se debruça sobre os números verificará que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) investiu no Estado. Só a cidade de São Paulo vai receber ao todo R$ 51,6 bilhões e que o Estado terá R$ 335 bilhões para obras.

Os integrantes do PIG (Veja, Istoé, Época, Estadão, Folha de São Paulo), que omitem informações, desde o primeiro mandato do presidente Lula, conspiraram de todas as formas para desestabilizar o governo, o que não conseguiram. Os altos índices de popularidade do presidente mostram exatamente o contrário. Isso também não quer dizer que não tenha cometido erros, erros que publicamente tenho questionado mesmo antes de assumir o mandato de vereador que tanto me honra.

Com o um marxista convicto, não me afasto de nenhuma discussão partindo sempre de fatos concretos, e olhando para eles podemos afirmar que o Estado de São Paulo recebeu muitos recursos do governo federal, principalmente no período mais aguda da crise econômica. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o faturamento em 2009 caiu 20% e atingiu R$ 64 bilhões. Mas, ao divulgar o balanço do ano, o presidente da entidade, Luiz Aubert Neto, destacou o Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do BNDES, e a desoneração do IPI, que foi prorrogada até junho deste ano. “Se não fosse o PSI e a desoneração do IPI, a queda teria sido pior”, afirmou.

Alguns sinais de reação já estão aparecendo. O setor, que dispensou aproximadamente 15 mil trabalhadores em 2009, registrou alta de 0,8% no nível de emprego em janeiro, totalizando 236 mil funcionários. E a Abimaq prevê que os investimentos aumentem 20% este ano, para R$ 8,9 bilhões. Beneficiado com o IPI menor, o Estado de São Paulo também promoveu desonerações tributárias localizadas. O caso mais recente foi anunciado em (29/03), quando, em um dos seus últimos atos antes de deixar o governo, Serra assinou decreto reduzindo o ICMS para a indústria têxtil nas vendas ao comércio. Segundo ele, a medida deve atingir aproximadamente 13,5 mil empresas, com 200 mil empregados.

Iniciativas como essa não impediram que a receita, em especial com impostos, continuasse aumentando. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, a receita chegou a R$ 131,4 bilhões em 2009, ante R$ 120,9 bilhões no ano anterior. Do total, R$ 89,3 bilhões referem-se à receita tributária, que aumentou de forma ininterrupta na atual gestão.

E mesmo as desonerações não interromperam a trajetória de alta da receita paulista. A receita com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) – em parte retida pelo estado –, que somou R$ 3,125 bilhões em 2007, subiu para R$ 3,339 bilhões em 2008 e R$ 3,511 bilhões no ano passado. O resultado deve-se, ao corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor automobilístico, que terminou (31/03) – o resultado de março, a ser divulgado nos próximos dias pela Anfavea, a associação das montadoras, deverá registrar novo recorde de vendas.

A arrecadação do Imposto sobre Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) também não parou de aumentar: de R$ 45,568 bilhões em 2008 (parte do Estado) para R$ 45,908 bilhões em 2009. Todos os dados constam dos balanços da Secretaria da Fazenda.

Ao divulgar na terça-feira (30/3) os resultados da produção industrial paulista, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Francini, também destacou o estímulo dado pelo PSI, do BNDES, mantido até dezembro deste ano. “O nível de utilização da capacidade sofrerá esse impacto positivo ao longo do ano. Entre a decisão de investimento e o aumento da capacidade produtiva vão aproximadamente quatro meses. Isso indica que teremos um período continuado de crescimento, e ganhos adicionais de produtividade, porque os investimentos se espalham e têm maturações distintas”, afirmou.

A atividade industrial em São Paulo cresceu 1,1% de janeiro para fevereiro (com ajuste sazonal), no melhor resultado desde o início da crise. No bimestre, a alta chegou a 15,4%. Em 12 meses, a produção ainda cai 3,6%, mas a Fiesp prevê alta de 13% este ano.

Por fim senhor, João Guilherme Ortolan, sobre a pergunta se considero o Jornal da Cidade integrante do PIG (Partido da Imprensa Golpista), minha resposta é não. Primeiro porque, mesmo discordando em muitos momentos do pensamento dos proprietários do jornal expresso nas colunas que não vêm assinadas, não vejo diariamente neste jornal a pratica do “jornalismo de campanha”, praticado pelos que citei nominalmente.

Roque Ferreira - vereador

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