Quando se levantou como o maior predador na face da terra, nascia um monstro. Uma aberração da natureza que quando viesse a se constituir como sociedade mostraria suas verdadeiras vocações: sede por destruição e vingança, gosto por sangue e clorofila. Verme. Parasita.
Somos uma praga que assola o planeta e embora isso seja clichê até para Hollywood, também é uma dessas verdades quase inquestionáveis. Sempre se falou da luta entre o bem e o mal. Mas quem seria esse mal para os outros seres vivos da Terra? Quem seria o pior demônio que a mãe natureza tem enfrentado senão eu, você e, antes de nós, todos aqueles de quem descendemos?
Somos a raça mais avançada do globo e também toda a escória de que se têm notícias nos últimos milênios. Quisera uma árvore se defender como um leão faria. Um rio se defender como um tubarão faria. Pudera o chão se defender como um homem faria. Não estaríamos diante desse estrago e esgotamento se ardesse na pele, se queimasse em nós.
Se o planeta tivesse consciência faria a terra tremer, mas tremer de ódio. Tremer por vontade própria para chacoalhar essa civilização vil que tomou para si todos os cantos de água, gelo e terra. Que não soube apanhar apenas o que era dado. Quis corromper e dominar e dominando, corrompeu-se.
Tão mortais como o câncer. Tão fatais como tsunamis, vulcões e terremotos. Somos nós. A ferida do planeta. As chagas da criação. A catástrofe da evolução. Tantas vezes disse que o capitalismo salvou o mundo. Que besteira! Essa é a besta que consome tudo e sempre está faminta. Essa besta é a mãe da sociedade moderna e dela somos viciados infelizes fantasiados de felizes dependentes.
Naturalmente bons ou maus? Às vezes me pergunto quanto vamos perder a capacidade de sentir. Sentir o que há escondido e indecifrável entre nós e as outras criaturas. Estamos mudando, evoluindo. Talvez, nas próximas gerações, nasçamos já com bolsos na pele para acomodar os cartões de créditos. Ventosas para prender o celular e o mp3. Quem sabe uma língua bifurcada. São tantas as possibilidades quando o homem brinca de ser Deus.
Não nos iludamos. Somos os monstros escondidos embaixo das camas e dentro dos armários. Somos as pestes do Egito e os Cavaleiros do Apocalipse. Somos os monstrengos maus que habitam as selvas e abismos. Somos os lobisomens. Somos os vampiros. E, para piorar, temos consciência disso. Quem somos? Já sabemos. Para onde vamos? É só analisar.
O autor, Anderson Prado de Lima, é formado em Letras e Marketing de Varejo