Uma mulher jovem, aparentando entre 25 a 35 anos, foi encontrada morta enrolada em um pano na forma de saco ontem no rio Bauru. O cadáver estava na altura da quadra 1 da avenida Nuno de Assis, no Centro. Em adiantado estado de decomposição, o corpo foi mandado para o Instituto Médico Legal (IML), mas até o fechamento desta edição não tinha sido identificado. A Polícia Civil vai investigar o que teria matado a mulher. A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) descartou a possibilidade de se tratar de Fernanda Tripodi, desaparecida desde o dia 17 de dezembro do ano passado.
Pouco antes das 9h, a Base Comunitária Centro foi alertada pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) sobre o encontro do cadáver. O Corpo de Bombeiros foi acionado e retirou o saco de dentro do rio, que estava na altura de uma passarela localizada próxima ao cruzamento da avenida com a rua Carlos Marques.
O delegado de plantão, Mário Henrique Ramos, esteve no local. A equipe de homicídios da DIG também foi deslocada para acompanhar a retirada do cadáver. Segundo Ramos, ao que tudo indica a mulher já estava morta quando foi jogada no rio. “Ela deveria estar na água já de 36 horas a 48 horas. Além disso, populares disseram ter visto o saco de pano lá na segunda-feira”, observa o delegado. O caso foi registrado como homicídio.
A vítima vestia roupas masculinas, inclusive uma cueca, aparentava ser parda e tinha o cabelo bem curto. Estava com uma aliança na mão esquerda e uma tornozeleira artesanal no pé esquerdo. O delegado explica que o corpo estava em posição fetal, com os braços e pernas junto ao peito, enrolado em um pano que foi amarrado com um nó na ponta, como uma trouxa.
“Ao que tudo indica, ela foi arremessada de frente. Além disso, ficou com parte das suas costas fora da água, já que o pano estava limpo nesse pedaço, enquanto o resto estava com uma coloração marrom”, observa. O delegado solicitou que o corpo fosse fotografado e as digitais, colhidas.
Como o cadáver estava em estado de putrefação, a pele já estava descolando do corpo. Foi necessário que os peritos recorressem à técnica da luva cadavérica para conseguir as digitais, ressalta Ramos. Nesse procedimento, é retirada toda a pele da mão e o perito, vestindo uma luva cirúrgica, “veste” por cima dela, a pele retirada do corpo. Assim, o próprio perito marca os dedos na tinta e carimba as impressões no papel que será mandado para pesquisa das digitais.
Extra-oficialmente, a informação obtida pela reportagem é que não havia sinais aparentes de agressões no corpo da mulher. Porém, a polícia ainda aguardava o resultado do laudo necroscópico para determinar a causa da morte.
Na passarela próxima onde o corpo foi localizado, a polícia apreendeu papéis com manchas aparentando serem de sangue e um cordão de bijuteria. No chão, havia marcas de respingos, também similares a sangue, que foram fotografados e tiveram material colhido. “Ao que tudo indica ela não foi morta no local, mas é preciso recolher todas as informações para a investigação”, destaca Ramos.
Ele ainda adianta que uma das suspeitas é que se trata de uma mulher que costumava perambular pela região e não foi encontrada ontem. Porém, essa hipótese ainda deve ser investigada.