Desde os meus tempos em que morava em Bauru eu via nos jornais que havia um projeto ou projetos para que essa cidade chegasse ao ano 2000 com várias indústrias e uma população que chegaria à casa dos 1 milhão de habitantes. Ledo engano, pois já estamos na segunda década do ano 2000 e nem indústrias e nem a tal população almejada. Não estou eu daqui do alto da riqueza e da pujança da cidade que moro fazendo desfeita a minha cidade do coração, pelo contrário, sempre vou torcer por Bauru, muito mais que muitos bauruenses que dizem que gostam da cidade, moram aí e não fazem nada pela cidade.
Um dos pontos que quero comentar é, como já citei acima, a industrialização da cidade, pois quando se inaugura uma indústria aqui, o sub-emprego cresce muito. Eu explico: quando chega uma indústria, com ela chegam os diretores e funcionários de alto escalão, como é o caso da Nestlé, que já tinha a sua unidade aqui e agora vai inaugurar uma segunda unidade para 1.200 funcionários. Desses funcionários, uma parte deles que ocuparão o alto escalão com salários acima de vinte mil reais ou mais terão suas esposas, filhos e outras pessoas que os rodearão e que vão gerar o sub-emprego pois a esposa para não ficar ociosa vai montar um pequeno comércio, os filhos vão estudar em escolas particulares, eles vão querer uma casa nova, um carro novo e assim por diante.
Com isso vão precisar de pedreiro, eletricista, vidraceiro, encanador, calheiro, mecânico para o automóvel, condução para o filho ir para à escola, o publicitário (no caso eu) para montar um lay-out da loja de sua esposa, o cabeleireiro, dentista, médico e uma infinidade de profissionais que vão atender a essa e aquela família que aqui virão morar. Esses profissionais acima não são nem 10% do que falei, porque eles vão fazer compra no shopping, no comércio, vão ao cinema, vão ser sócios de algum clube que nesses casos vão gerar empregos pela demanda de pessoas que chegarão à cidade.
De que adianta ter 360 mil habitantes se um dos principais itens que é o emprego para se sobreviver, essa cidade não tem?
Os políticos de Bauru deveriam ter um pouco mais de sensibilidade e lutar para que se instalassem indústrias em Bauru para que com isso se pudesse gerar tantos empregos e sub-empregos e o povo tivesse dinheiro para gastar dentro da própria cidade.
As escolas (principalmente as faculdades) formam profissionais que depois alçam vôos para outras cidades onde podem arrumar empregos. O Senai, se forma um torneiro, como não tem metalúrgicas em Bauru, logo o formando vai para outra cidade que tem metalúrgica para fincar sua bandeira, formar uma família e fazer o seu “pé de meia”. O Senac forma profissionais na área comercial, mas vão encontrar uma forte concorrência pois o forte da cidade é o próprio comércio. Eu preferiria que Bauru fosse mais industrializada do que comercializada. Industrialização gera comércio, mas comércio não gera industrialização, a não ser que o próprio produto gerado dentro da cidade se comercialize dentro dele própria. O que Bauru produz com as pouquíssimas indústrias que tem não geram capital suficiente para que a cidade cresça, pois é uma quantidade em valores muito minguada. Bauru é uma cidade que tem potencial, pois se localiza no centro do Estado, mas os políticos (que são poucos) não se apegam em fazer uma coisa só, pois querem ter tudo, querem fazer tudo e acaba em nada.
Aqui em Araraquara, apesar da cidade já ser de excelente qualidade há muito tempo, houve uma mudança radical no cenário político, pois os prefeitos anteriores só cuidavam da parte central da cidade, esquecendo-se que a cidade é um todo e não somente a parte central. Então a cidade se uniu e elegeu um prefeito do PT (que é o que Bauru precisava, mas agora não adianta mais pois o Lula está de saída). Esse prefeito simplesmente trouxe várias indústrias, recebeu 24 milhões do governo federal para fazer a reforma do estádio, hoje Arena da Fonte (um dos mais bonitos estádios do Brasil), recebeu mais uma verba do governo federal para a retirada dos trilhos do centro da cidade, adotou o sistema do Orçamento Participativo, onde os moradores do próprio bairro se reúnem para direcionar a verba destinada para o mesmo.
Não adianta uma cidade do tamanho de Bauru querer lutar e eleger políticos que vão de encontro com as idéias de que está no governo, pois infelizmente política se baseia no velho ditado “é dando que se recebe”, se você não pode com seu inimigo, alie-se a ele.
Volto a frisar, Bauru e o Norusca moram no meu coração e nunca vou abrir mão disso, passe o tempo que passar. Por favor, pode publicar o meu e-mail para os meus amigos que aí deixei: jsigns@ig.com.br
Juarez Malaquias Gomes