Política

Apitaço marca protesto pelo Mauá

Por Monise Centurion | Com Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Ao som de apitos e de faixas que diziam ‘reforma ou demolição, queremos uma solução’, mais de duas centenas de pessoas se reuniram ontem, em cima do viaduto Mauá, para protestar contra a morosidade do poder público em resolver a interdição. Foi o protesto pelo “aniversário” de um ano e meio de paralisação do viaduto ainda sem definição para a recuperação.

Organizado pelo vereador Fabiano Mariano (PDT), o movimento teve apoio de lideranças comunitárias, paróquias das adjacências e dos motoristas que passavam pelo local, onde foi feita também a coleta de assinaturas para abaixo-assinado que será entregue ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB). “Temos de ter uma solução para este problema. A cidade não pode esperar tanto tempo para resolver uma questão como esta. É um absurdo a demora em uma definição. Nem o projeto para saber se tem de demolir ou recuperar o viaduto foi contratado”, reclamou o vereador.

A Prefeitura de Bauru marcou para o dia 27 deste mês a terceira tentativa de realizar licitação do Mauá, na modalidade carta-convite. Mas a contratação ainda será da fase de levantamento do serviço de engenharia consultiva para a realização da análise do estado atual do equipamento e execução dos projetos necessários à recuperação dos viadutos (Mauá e 9 de Julho, que estão lado a lado), ou sua demolição.

O prefeito Rodrigo Agostinho comentou, ontem à noite: “Eu iria na manifestação também. Entendo a posição. A prefeitura fica refém do mercado de obras. Fizemos duas licitações e não apreceu ninguém. Divulgaram de forma errada que a terceira seria hoje (ontem), mas será a licitação no dia 27. As empresas dizem que não há interesse em reformar um viaduto velho. Elas preferem trabalhar em viadutos novos”, disse.

Segundo ele, se nenhuma empresa aparecer na terceira tentativa de licitação, no dia 27, a prefeitura vai buscar uma empresa em licitação direta.

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História da interdição tem dúvidas, ausência de prevenção e lentidão

Interditado há um ano e meio, o viaduto Mauá é o mais novo símbolo bauruense da lentidão e da incapacidade operacional da Prefeitura de Bauru em resolver problemas. Depois da ponte Ayrton Senna, na ligação com o Núcleo Mary Dota, em passado recente, agora é a ligação do Centro com a Vila Falcão que, todos os dias, aciona o protesto dos bauruenses pela resolução da obra.

A paralisação do Mauá tem ingredientes de todo gênero: falta de planejamento e ação preventiva da administração municipal, ao longo das últimas décadas, em relação aos viadutos e completa incapacidade em construir e preservar obras.

O pior é que depois de tentativas frustradas junto a órgãos estaduais e municipais, ainda não se sabe o que fazer com ele. O viaduto também padece do pouco ou quase nenhum interesse das empresas privadas do ramo de engenharia civil em assinar projeto para recuperar aquilo que resiste ao tempo com demonstrações de fadiga.

Na melhor das hipóteses, somente no final deste ano é que a Prefeitura de Bauru poderá ter ciência se a melhor opção será demoli-lo ou recuperá-lo. Obra mesmo, ação, só em 2011. A previsão só poderá se tornar pessimista se, no próximo dia 27, algum iluminado engenheiro de uma das inúmeras empreiteiras que atuam no ramo resolver apresentar proposta para a licitação.

Mas que a população não se anime antes do tempo. A licitação, em sua terceira tentativa depois de duas frustradas, ainda será do projeto executivo. Depois disso e se a etapa for cumprida é que, então, o governo municipal terá como realizar a contratação do serviço em si.

Conforme o JC veiculou, recentemente, a prefeitura já fez duas licitações para contratar a empresa que poderá dar a receita para a recuperação estrutural da obra ou sua destruição (indicando custos para as duas opções). Porém, não apareceram interessados (licitações desertas).

Se o desinteresse voltar a imperar, a administração municipal acena em fazer, então, uma contratação direta, sem licitação. “Estou tentado descobrir qual é o problema. Muitas empresas alegaram falta de documentação (para não participarem do processo)”, informou o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, que fez contato com cerca de seis delas.

De acordo com ele, o cuidado em abrir licitação três vezes antes de fazer a contratação direta, se esse for o caso, atende a orientação jurídica da prefeitura. A administração, porém, permaneceu seis meses avaliando o formato da licitação. Há evidente gargalo, não resolvido pela atual gestão, na área de projetos (Seplan) e na área de licitações na prefeitura (Administração). Falta mão de obra para dar conta da demanda e, também, capacitação para diferentes tarefas.

História longa

O diagnóstico do problema no viaduto também foi lento. Na noite de 19 de setembro de 2008 o viaduto Mauá foi interditado com base em relatório técnico preliminar elaborado pelo Ministério Público. Uma semana depois, o então prefeito Tuga Angerami solicitou ao secretário-adjunto de Estado da Casa Militar, coronel Aléssio da Silva Júnior, auxílio do Governo do Estado para a avaliação técnica do viaduto Mauá.

Na oportunidade, ficou definido que um técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão do Governo do Estado, faria uma avaliação (diagnóstico). A inspeção foi feita praticamente 10 dias após o tráfego ser interrompido. O laudo foi inconclusivo quanto à intervenção no equipamento.

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